Ao retornar à Casa Branca em janeiro de 2025,­ ­Donald Trump acumulava um capital político raro, o controle simultâneo da Câmara e do Senado, o apoio disciplinado do Partido Republicano e a devoção de uma base mobilizada em torno do bordão “America First”. Um ano depois, o que parecia ser uma base sólida se desmancha no ar. Aliados se afastam, as fissuras na legenda ficam evidentes e Trump parece cada vez mais isolado. Na noite do domingo 11, a morte súbita do senador Lindsey Graham, em decorrência de uma ruptura na principal artéria do corpo, aumentou a sensação de isolamento do presidente dos Estados Unidos. Graham era um expoente de um conservadorismo tradicional: defensor da postura intervencionista no exterior, linha-dura em segurança e aliado consistente de pautas judiciais restritivas. Ao liderar até os últimos dias um pacote de sanções e tarifas contra a Rússia, articulado com o Executivo, o senador voltou a se mostrar como um dos principais fiadores de Trump na Casa.

As fraturas entre Trump e o Congresso ficaram expostas, no entanto, até durante os preparativos das homenagens ao senador. Enquanto líderes republicanos e democratas enfatizaram o papel institucional de Graham e defenderam a continuidade do projeto de sanções à Rússia como uma forma de honrar seu legado, o presidente aproveitou o luto para reivindicar o crédito pelo pacote e pedir que outros dois fossem aprovados como maneira de homenageá-lo, um deles relacionado a criptomoedas, o que para muitos não têm qualquer relação com o trabalho de Graham.