O presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal, Edvandir Paiva, defende análise do caso pelo plenário do STF, e não por decisões monocráticas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Edvandir Paiva — Foto: Divulgação/ADPF Horas depois de Flávio Dino reverter a decisão de André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues do comando da PF, o presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, defendeu que o STF julgue a medida de forma definitiva, no plenário da Corte, para evitar que a corporação sofra com a instabilidade causada pela guerra entre os ministros do Supremo. Declarou Paiva à coluna: — Assim como a decisão de ontem [de Mendonça], eu não tenho uma posição da classe sobre o mérito dela, porque os colegas se dividem. Há quem ache que está correto o afastamento, há quem acha que está errado. O que eu tenho para dizer em nome da classe é que decisões de afastamento de um diretor-geral deveriam ser definitivas, no sentido de não caber recurso. Deveria ser então do plenário do STF. Porque se não nós vamos ficar nessa instabilidade. Ontem nós tínhamos um diretor afastado, hoje nós temos um diretor reintegrado, nas próximas horas ninguém sabe. Em tese, nós temos dez ministros e cada um pode emitir uma decisão diferente uma da outra. E a Polícia Federal é um órgão muito importante para viver essa instabilidade. Em meio à indefinição sobre o futuro do diretor-geral da PF no cargo, o líder da ADPF aponta que a situação obviamente "gera temor" nos delegados e que "até do ponto de vista psicológico é ruim de trabalhar". Apesar disso, ele afirma que os colegas continuam fazendo as investigações e não se tem notícia que elas estejam paralisadas por conta de nenhuma decisão, até o momento. Na decisão desta segunda-feira em que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues, Mendonça reproduziu falas do próprio Paiva sobre os relatórios de inteligência divulgados por Moraes na semana passada, no âmbito do inquérito das fake news. O relator do caso Master destacou que o chefe da ADPF afirmou que "o documento não poderia de maneira alguma circular fora da polícia, porque são impressões internas", além de ter "situações de análise bem subjetiva que podem ser só a opinião de alguém". Questionado sobre o uso de suas declarações na decisão do ministro para afastar Rodrigues, Paiva respondeu que não tem controle sobre como suas manifestações sobre a posição dos delegados da PF serão utilizadas "por qualquer setor", mas que, "se o ministro entendeu que havia autoridade no que a gente estava falando, tudo bem Disse o delegado: — Nós falamos o que os delegados entendem sobre aqueles relatórios de inteligência. Aquilo lá é a nossa posição, e essa é uma posição muito consolidada entre os delegados, posso dizer que não há divisão em relação à divulgação desses relatórios para fora da Polícia Federal. A respeito do relatório encomendado por Mendonça aos delegados da PF, o presidente da entidade sustentou que os colegas não têm poder para questionar uma decisão de ministro do STF, o que não é permitido pela legislação e acarretaria riscos para eles. E disse achar errado que os responsáveis pela condução dos inquéritos não possam pelo menos pedir a reavaliação das decisões em relação ao que foi requerido. Comentou: — Deveríamos ter condições de apresentar argumentos sobre as decisões judiciais, para que elas fossem pelo menos reapreciadas. Um delegado que ousa questionar uma decisão judicial, descumprindo, corre o risco de ser afastado, de ser demitido, e ninguém vai correr esse risco, ninguém vai se submeter a isso. É muito fácil para quem está de fora, eu ouço às vezes alguns delegados dizendo isso e eu pergunto: 'se você tivesse no lugar dos colegas, você descumpria a ordem judicial?'. E todo mundo fala: 'eu não'. Já sobre o ofício enviado por Andrei para que a AGU questionasse atos de Mendonça, ele afirmou que não se lembra de nenhum caso em que o órgão tenha atuado em questões da PF, o que costuma ser feito pelo Ministério Público.
Delegado critica instabilidade na PF: 'nas próximas horas ninguém sabe'
O presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal, Edvandir Paiva, defende análise do caso pelo plenário do STF, e não por decisões monocráticas














