Decisão do ministro atropelou o presidente do STF Edson Fachin, que tinha sido acionado pela AGU na noite de terça-feira (8) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues — Foto: Adriano Machado/Reuters O pedido de reintegração à direção-geral da Polícia Federal (PF) por Andrei Rodrigues, concedida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), não tinha conhecimento do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, e foi tratada como "pessoal" dentro do órgão. Para interlocutores, a decisão escancara o desalinhamento entre dois nomes fortes do governo Luiz Inácio Lula da Silva e que estão no centro da atual crise institucional. Leia mais Segundo membros da gestão, Andrei respondeu ao questionamento de Dino por iniciativa própria e não alinhou a estratégia institucionalmente com a AGU. À advocacia, coube o pedido da suspensão imediata do afastamento de Andrei ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, na noite dessa terça-feira (8). Na prática, a decisão de Dino em pouco tempo atropelou o presidente do Supremo e garantiu a retomada do diretor-geral da PF ao cargo. Andrei retornou ao posto nesta quarta-feira (9) e já despachou com diretores do órgão. Interlocutores dizem que a AGU deverá insistir no pedido, mas que Fachin poderá ver perda de objetivo por causa da decisão de Dino e ficar com a análise deste caso. Nesta manhã, o presidente do STF cancelou a sessão plenária e ainda não se manifestou sobre o andamento do caso. A iniciativa, no entanto, ajuda a revelar uma rusga já deflagrada entre Andrei e Messias. Pessoas próximas dizem que o dirigente da PF tem se mostrado insatisfeito com a atuação do AGU em meio à crise do STF, em especial quanto às decisões do ministro André Mendonça, de quem Messias é próximo, e que esperava posicionamentos mais enérgicos. Andrei chegou a acionar formalmente a AGU para questionar medidas de Mendonça vistas pela PF como interferência no trabalho da corporação. Messias chegou a se reunir com Mendonça e com o ministro da Justiça no STF para tratar do tema, mas não tomou nenhuma medida jurídica para questionar determinações do ministro do Supremo. Em resposta ao Valor, a AGU disse que não comentará o pedido de Andrei ou a decisão de Dino, mas reforçou que pediu a suspensão da determinação de Mendonça "em caráter de urgência". "A AGU entende que a medida viola a prerrogativa privativa constitucional do Presidente da República de prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal", afirmou o órgão. A PF também foi procurada, mas não se pronunciou até a última atualização. Aliados do Palácio do Planalto, contudo, veem a ação de Andrei coordenada à estratégia da gestão federal. Na leitura deles, o diretor-geral da PF é uma pessoa de confiança de Lula, e não agiria à revelia do chefe do Executivo. Eles conversaram ontem por telefone. Além disso, fontes apontam que o governo tem um limite institucional sobre o que pode fazer em meio a essa crise no STF. Assim, dizem que, ao entrar com o recurso da AGU, já tomou a atitude possível no cenário, enquanto Andrei também pode tomar outras medidas de caráter pessoal, sem prejudicar, diretamente, as atribuições do Executivo. No âmbito político, o presidente Lula tem tentado se equilibrar entre passar uma mensagem que cobre resolução dos casos por parte do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), ao mesmo tempo que busca não entrar em conflito direto com os magistrados. O governo teme que, se o petista tomar uma atitude mais drástica, pode trazer impactos à sua campanha à reeleição. O foco, segundo fontes da equipe de campanha, seguirá sendo na crítica à falta de transparência e defesa pela apuração da fraude do Banco Master, com o qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje principal adversário do petista na disputa ao Palácio do Planalto, tem acusações de envolvimento com o ex-banqueiro e dono da instituição, Daniel Vorcaro. Nesta manhã, o presidente pediu a divulgação dos sigilos do caso Master e explicações por parte STF em meio à crise na Corte. "Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade", declarou, na primeira fala desde a decisão de Mendonça. A postagem, por sua vez, dialoga diretamente com uma inquietação do PT e da campanha, que veem motivação eleitoral na determinação de Mendonça para Flávio. Petistas também julgam haver seletividade do ministro ao liberar o sigilo de alguns casos, como as mensagens do ministro Alexandre de Moraes para Vorcaro, e não do caso do filme "Dark Horse", ligado diretamente à candidatura bolsonarista.
Pedido de Andrei a Dino para voltar à direção da PF não tinha conhecimento de Jorge Messias
Decisão do ministro atropelou o presidente do STF Edson Fachin, que tinha sido acionado pela AGU na noite de terça-feira (8)











