Aliados de Flávio miram desgaste de Lula com crise institucional, enquanto entorno do presidente prega distância do embate e foco em pautas do cotidianoe 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 André Mendonça e Andrei Rodrigues. — Foto: Brenno Carvalho/ Agência O Globo A decisão do ministro Flávio Dino de reintegrar o diretor-geral Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal menos de 24 horas depois da decisão de André Mendonça em afastá-lo do cargo abriu uma nova frente na disputa política provocada pela crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e incitou o debate sobre qual será o impacto disso no processo eleitoral. A avaliação de aliados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais candidatos à Presidência, é que essa crise no Supremo —a maior da história recente da Corte— deverá ter impactos diretos no pleito. De um lado, aliados do senador buscam desgastar a imagem de Lula diante da proximidade dele com ministros do Supremo e reforçar discurso crítico ao STF. De outro, governistas defendem que o presidente se afaste da crise, evite embate direto com ministros e encampe a defesa de uma reforma no Judiciário. Nesta quarta-feira, os dois candidatos falaram da crise institucional. Lula afirmou em publicação nas redes que é preciso “explicações e medidas imediatas” diante do cenário e falou que é “urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer”. Em agenda em Juiz de Fora, Minas Gerais, Flávio disse que Dino deu uma “canetada completamente contra os precedentes históricos do Supremo”, falou em tentativa de interferir no processo judicial e lembrou que o ministro integrou o Ministério de Lula, quando chefiou a pasta da Justiça. A decisão de Dino também escancarou a divisão interna do próprio Supremo. Mendonça foi indicado por Jair Bolsonaro em 2021 ao Supremo. Dino, por sua vez, foi uma indicação do petista, em 2023. Os dois estão em alas distintas na Corte: Dino é do grupo de Gilmar Mendes, o decano do STF, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin; já Mendonça é mais próximo de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Após a decisão desta quarta, aliados de Flávio acusaram Dino de “atropelar” uma maioria já formada na Segunda Turma para manter o afastamento do delegado e passaram a apontar a sucessão de decisões conflitantes como sinal de insegurança jurídica. Governistas, por outro lado, saíram em defesa da medida e afirmaram que ela reage ao que consideram excessos de Mendonça e uma interferência indevida na PF, tendo como pano de fundo o processo eleitoral. Desde a semana passada, a oposição vinha concentrando a ofensiva sobre Moraes e cobrando uma reação a partir das revelações do caso Banco Master. Com o afastamento de Andrei por Mendonça e a reintegração posterior, o embate passou a envolver diretamente a extensão dos poderes dos próprios ministros e a capacidade do Supremo de arbitrar internamente a crise. O principal argumento da oposição nesta quarta-feira é que Dino contrariou, por decisão individual, um entendimento que já reunia três votos na Segunda Turma. Além do próprio Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques haviam votado para referendar o afastamento de Andrei e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. O julgamento, porém, não chegou a ser concluído porque Gilmar Mendes pediu vistas (mais tempo para análise). A reação também alcançou a atuação do presidente do Supremo, Edson Fachin. Antes da decisão de Dino, Fachin já tinha em mãos um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) contra o afastamento e havia dado 72 horas para Mendonça prestar informações. A oposição passou a usar essa sequência para sustentar que a medida desta quarta-feira não apenas contrariou a maioria formada na Segunda Turma, mas se antecipou à tentativa de Fachin de conduzir institucionalmente o impasse. Candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) disse em publicação nas redes sociais que a decisão também amplia a insegurança jurídica. “Ministros do Supremo passaram de todos os limites, mas a postura de Flávio Dino supera qualquer patamar. Virou imperador do Brasil e implodiu a segurança jurídica. Ditadura da Toga, não!”, afirmou em publicação. No campo governista, aliados defenderam a decisão de Dino e definiram ela como uma “arrumação” diante do que classificaram como uma tentativa de Mendonça em interferir na PF —e, consequentemente nas investigações conduzidas— e nas eleições. O entorno do presidente diz que existe grande desconfiança com o que seriam as intenções do ministro do Supremo com esses movimentos e vinha criticando o que classifica como “vazamentos seletivos” de investigações para prejudicar Lula. Nas últimas semanas, aliados passaram a pedir que caísse o sigilo também da investigação sobre o filme Dark Horse, que recebeu recursos de Daniel Vorcaro após pedido de Flávio. Além disso, aliados do presidente querem se distanciar dessa celeuma institucional e levar ao centro do debate eleitoral temas que dialoguem com a vida cotidiana das pessoas, a exemplo do fim da escala de trabalho 6x1. Até o momento, poucos aliados de Lula tinham comentado os fatos desta semana. Na terça, José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) criticou nominalmente Mendonça e falou em “intromissão” com “cheiro eleitoral”. Havia, nos bastidores, um clima de compasso da definição, por Lula, de qual linha a sua campanha adotaria. Nesta quarta, Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) disse em publicação nas redes que a decisão de Dino “restabelece a autonomia dos Poderes”. “É inaceitável qualquer interferência indevida no processo eleitoral. A eleição de outubro não é sobre o STF. É sobre o futuro do Brasil. Vamos limpar o campo e debater o que importa: o fim da escala 6X1, a soberania nacional e as propostas que interessam aos trabalhadores brasileiros”, escreveu.
Volta de chefe da PF por ordem de Dino amplia críticas da oposição ao STF e dá fôlego ao discurso governista de interferência de Mendonça
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