Tanto a liberação da chamada taxa das blusinhas como o fim compulsório do regime de trabalho 6x1 poderiam ser providências que beneficiariam a economia e o emprego, desde que devidamente tratados seus efeitos colaterais perniciosos.PUBLICIDADENo entanto, a única razão pela qual o governo Lula batalhou pela isenção da importação das blusinhas e continua batalhando pela aprovação do fim da jornada 6x1 é sua natureza eleitoreira. Por isso, as discussões mais importantes sobre esses temas vêm sendo ou rejeitadas ou ignoradas.No caso da revogação da taxa das blusinhas, o estrago sobre a atividade econômica pode estar sendo exagerado pelas entidades que representam o comércio e a indústria. E foi em consideração a essas consequências danosas que, em 2024, o próprio governo Lula decidiu aprovar a taxação que agora fez questão de revogar.Fim do regime 6x1 é batalha eleitoreira de Lula, sem a devida consideração com o aumento de custos trabalhistas para as empresas Foto: Wilton Junior/EstadãoO vice-presidente da República e ex-ministro da Indústria e do Comércio, Geraldo Alckmin, antes enfaticamente a favor dessa taxação, em toda essa reviravolta se manteve disciplinadamente calado.A outra batalha eleitoreira do governo Lula é a substituição paternalista do regime 6x1 pelo de 5x2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso), sem a devida consideração para com o inevitável aumento de custos trabalhistas para as empresas, especialmente as de mão de obra intensiva.PublicidadeÉ indiscutível que o futuro, com ou sem a jornada de trabalho definida por lei, é o da progressiva redução da participação do trabalho braçal na produção. No entanto, forçar a barra nessa questão produz distorções. Uma delas será a de que o trabalhador provavelmente usará o maior tempo livre não para descanso, nem para o lazer e nem para o maior cuidado da família, mas para novos bicos, de modo a complementar sua renda.Se a PEC do governo for aprovada, as empresas apressarão seus esquemas de ajuste. Deverão aumentar a substituição de mão de obra por mais emprego de tecnologia e de inteligência artificial e deverão aumentar a rotatividade de pessoal (substituição de mão de obra mais cara pela mais barata), como já vem acontecendo por aqui, no comércio e no setor bancário.Do ponto de vista imediato, para os cartolas da classe trabalhadora, a implantação desse novo regime de cima para baixo também deverá contribuir para esvaziar a atuação dos sindicatos. Muito melhor seria se a PEC deixasse aberto o caminho para livre negociação sobre o regime a ser adotado, setor por setor. Essa maior atuação seria o que mais fortaleceria a atividade sindical.PublicidadeMas o governo Lula quer voto, e não o fortalecimento da economia e dos sindicatos. O fim da taxação das blusinhas já foi aprovado. E, no entanto, persistem sérias dúvidas sobre se essa nova isenção e se a aprovação do regime 6x1 ajudariam o objetivo da reeleição.Vale ler tambémMuito além das commodities: o agro nacional rumo às prateleiras do mundoSteve Jobs construiu a Apple; Tim Cook a transformou na maior empresa do mundoFalta de terrenos em SP ajuda a ampliar projetos de galpões ao interior
Opinião | Fim da taxa das blusinhas e da escala 6x1 é aposta eleitoral de Lula, com efeito incerto
Medidas poderiam beneficiar economia e emprego, mas caráter eleitoreiro deixa discussões importantes de lado













