Teve sucesso apenas parcial o esforço do governo para apressar a aprovação da proposta de emenda constitucional destinada a reduzir a jornada máxima de trabalho.

Como queria Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Comissão de Constituição e Justiça do Senado deu sinal verde na quarta-feira (2) à PEC que acaba com a escala de seis dias de trabalho semanal, já votada pela Câmara dos Deputados. Entretanto não há certeza quanto à data do exame definitivo do diploma em plenário.

Sem acordo para que a tramitação fosse concluída nesta semana, os parlamentares só deverão voltar ao tema, na melhor das hipóteses para o governo, depois do primeiro turno das eleições —e assim restará a Lula, candidato a um quarto mandato, empenhar-se para que a votação ocorra antes do segundo turno.

Uma eventual frustração de tal desejo fará bem ao debate em torno da proposta, hoje irremediavelmente contaminado por pressa e oportunismo eleitoreiro.

Petistas e aliados carimbam de inimigos do povo os críticos da PEC, que não raro recorrem a subterfúgios para camuflar suas posições —o PL de Jair Bolsonaro chegou ao ridículo de defender jornada máxima de quatro dias na tentativa de inviabilizar o avanço do texto na Câmara.