Presidente tem de transformar o que ainda é uma possibilidade em bandeira e, com isso, pode causar abalo sério a adversário, que trabalha contra redução da escala de trabalho 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Davi Alcolumbre, Lula e Hugo Motta — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo O governo e o PT estão, de novo, catando cavaco num momento crítico para a campanha de Lula. Os números da pesquisa Quaest mostram o petista empacado, quando não recuando, na busca pelo quarto mandato. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro trabalha à luz do dia para impedir a votação do fim da escala de trabalho 6 x 1 no Senado. Não votou na CCJ e faz apelos a Davi Alcolumbre para adiar a votação em plenário. O esperado diante das poucas armas de que Lula dispõe para voltar a ter algum favoritismo na disputa é que ele, seus coordenadores de campanha, os candidatos nos Estados, os ministros, os senadores estivessem todos entoando um coro nas redes sociais de que o adversário do presidente trabalha contra os trabalhadores. Mas, tirando poucos comerciais em que um Lula roufenho trata do assunto, ninguém mais parece exatamente mobilizado. Os dados da Quaest são alarmantes para Lula não apenas pelo empate rigoroso que Flávio alcança no segundo turno. O petista vê sua avaliação cair de forma consistente no Nordeste, região na qual precisa ter uma vantagem maiúscula para vencer no segundo turno, sua votação despencar entre os mais jovens e a quantidade dos que acham pior para o Brasil reelegê-lo superar os que temem mais a volta dos Bolsonaro ao poder. O avanço de Augusto Cury, que atinge 2 dígitos na pesquisa, também dificulta o sprint para tentar liquidar a fatura no primeiro turno e, assim, evitar o esperado "todos contra um" dos candidatos da direita em torno de Flávio no segundo (muito embora os três, somados, não cheguem a dois dígitos na pesquisa). Ainda assim, o empenho que Lula, sua base no Congresso e seus candidatos parecem dedicar à pauta da 6 x 1, a única capaz de minimanente acenar com algum futuro numa campanha com cara, jeito e voz de agenda velha, é mínimo, preguiçoso, burocrático. Enquanto a direita prepara uma mega mobilização para o 7 de Setembro, a máquina sindical e partidária que outrora fez de Lula um líder é incapaz de se articular para levar as pessoas às ruas para pressionar o Senado pela aprovação de um texto de seu interesse. Do lado de Flávio, ele e seu coordenador, Rogério Marinho, agem com a desenvoltura de quem não teme desgaste junto ao eleitor para barrar a proposta, lançando mão de ideias diversionistas, como o trabalho por hora, para levar confusão ao debate público. O governador se mostra tão perdido no jogo da comunicação que, enquanto a quarta-feira vai terminando sem que haja clareza de se será possível votar o projeto crucial antes do primeiro turno, os senadores da base se revezam nos microfones do plenário do Senado para falar de outros assuntos, sem carimbar a não-votação na testa do adversário. A oposição, enquanto isso, tira até a última gota da crise do STF para fustigar Lula, que ficou associado a Alexandre de Moraes e à ala ligada a ele na Corte. O presidente não consegue nem sair desse corner nem transformar a pauta trabalhista em prioridade.
Empacado, Lula só tem fim da 6 x 1 para acenar com esperança
Presidente tem de transformar o que ainda é uma possibilidade em bandeira e, com isso, pode causar abalo sério a adversário, que trabalha contra redução da escala de trabalho











