Casca verde e dura, interior mole e cheiro de abacaxi. Assim é a feijoa, fruta nativa do sul do Brasil ainda desconhecida em território nacional. Apesar de ser parte da cultura alimentar de povos indígenas do país, a planta, também chamada de goiabeira-serrana, conquistou mais espaço no exterior.

Um dos maiores produtores do mundo, a Nova Zelândia cultiva a árvore para fazer geleias, bebidas e sorvetes. A Colômbia também tem tradição no plantio, nos Andes, onde os pés dão fruto o ano todo.

Embora cientistas e pequenos agricultores do Brasil observem aumento no interesse pela espécie nos últimos dez anos, a produção brasileira é tão pequena que fica difícil medi-la com precisão.

A jornada da feijoa pelo mundo começou no século 19, mas antes já era usada como alimento pelos povos xokleng, kaingang e guarani, que viviam nos territórios nativos da planta, como Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, além do norte do Uruguai. Ainda hoje descendentes indígenas usam a planta para fins medicinais.

Segundo Samira Moretto, pesquisadora da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul) e especialista em história ambiental global, a goiabeira-serrana faz parte do conjunto de plantas estudadas por naturalistas que visitaram o Brasil depois de 1808, data da chegada da família real portuguesa.