A segunda-feira (7) foi pródiga em sinais funestos para os valores que sustentam a política tradicional e o projeto europeu do pós-guerra.

Enquanto a Sérvia enterrava com honras militares e multidões nas ruas um criminoso de guerra condenado e conhecido como o "açougueiro da Bósnia", Ratko Mladic, um partido alemão que esposa seus conceitos de exclusão étnica obtinha uma vitória eleitoral expressiva.

Na véspera, a Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla germânica) havia vencido o pleito regional da Saxônia-Anhalt, disparando alarmes. O fato de alguns de seus líderes já terem adotado discursos revisionistas, como o questionamento do Holocausto, dá credibilidade ao temor.

A AfD apoia a Rússia na guerra contra a Ucrânia e é líder em desinformação digital. Ademais, tem seções estaduais classificadas como extremistas, e a mesma designação federal foi dada em 2025, tendo sido suspensa para análise judicial neste ano.

Não que a Saxônia-Anhalt seja tão importante: está em último lugar no ranking de PIB per capita do país. Mas fica no coração da antiga Alemanha Oriental, cuja integração em 1990 foi parte central do projeto da União Europeia, formada dois anos depois.