Quando um partido de extrema direita obteve uma vitória esmagadora no domingo (6) em um pequeno estado do leste da Alemanha, suas repercussões puderam ser sentidas da Downing Street, em Londres, até o Palácio do Eliseu, em Paris. Raras vezes o resultado de uma eleição regional foi visto como um presságio tão importante para o destino da democracia na Europa.

Não se trata de um país europeu qualquer —é a Alemanha, que desde a calamidade do nazismo tem afastado de forma implacável os partidos políticos de extrema direita. E tampouco é apenas um caso isolado e estranho, mas o passo mais recente de uma marcha constante, ao longo de uma década, que levou a extrema direita cada vez mais perto do centro do poder na Europa.

Com eleições marcadas em toda a Europa para o próximo ano, o êxito impressionante do partido AfD (Alternativa para a Alemanha) pode ser um prenúncio de novas vitórias da extrema direita, segundo analistas, além de servir de modelo para a maneira de construí-las. Sua mensagem populista e anti-imigração ecoa as de líderes nacionalistas no Reino Unido, na França, na Itália e na Espanha, países onde os eleitores nutrem muitas das mesmas insatisfações dos alemães.

Os franceses elegerão um novo presidente em 2027. A Espanha deverá realizar eleições até agosto, e a Itália, até o fim do próximo ano. Em todos esses países, candidatos de extrema direita estão avançando, ameaçando os governantes no poder, responsabilizados por problemas sistêmicos nas economias nacionais.