Como habitual de cada vez que um partido de extrema direita tem uma vitória retumbante, como aconteceu agora no estado alemão da Saxônia-Anhalt, os comentadores dividem-se em dois campos: um que dá prioridade às questões socioeconômicas, como desemprego, inflação e desigualdade; e outro que tende a explicar os fatos por causas culturais, como a imigração e a xenofobia. Em ambos os casos, o foco está em acontecimentos relativamente recentes, da última década ou pouco mais, que deveriam ter capacidade explicativa para fenômenos também eles recentes.
Vale a pena porém pensar no seguinte: neste mesmo estado alemão, há quase cem anos, o partido nazista teve resultados que são praticamente idênticos, com uma diferença mínima na casa dos décimos, aos que a AfD (Alternativa para a Alemanha, de extrema direita) teve nestas últimas eleições. A verdade é que historicamente a Saxônia-Anhalt foi sempre um estado muito à direita. Na era comunista isso ficou disfarçado, mas desde a reunificação alemã o partido mais à direita ganhou sempre as eleições. Só que em tempos esse partido mais à direita era a CDU (União Democrata-Cristã, de centro-direita conservador) e agora existe uma oferta mais à direita ainda.












