No eleitorado geral, 57% dizem que o não comparecimento não afeta escolha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Flávio Bolsonaro faltaram ao debate presidencial da TV Band em agosto — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo. A ausência de candidatos em debates tem impacto maior entre os eleitores autoidentificados como independentes, que não se definem nem à esquerda, nem à direita, e são considerados um segmento-chave para a disputa presidencial deste ano. Dados da última pesquisa Quaest contratada pelo GLOBO e pela TV Globo mostram que nesse grupo 45% disseram “querer votar menos” em ausentes nos confrontos na TV, enquanto 50% afirmaram que as faltas não impactam em sua decisão de voto. Na população como um todo, 57% afirmam que a ausência em debates “não afeta” sua decisão de voto e só 37% dos entrevistados dizem “querer votar menos” em candidatos que evitam o confronto direto. Os eleitores lulistas e bolsonaristas tendem a se mostrar menos afetados pela ausência de candidatos em debates, de acordo com a pesquisa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se ausentaram do primeiro debate entre presidenciáveis, realizado pela TV Band em agosto. Eles tampouco garantiram presença até agora no debate do próximo dia 14, que será transmitido por um pool de emissoras e veículos de imprensa. Eleitorado feminino A Quaest também apontou que as mulheres e eleitores com ensino superior tendem a se mostrar mais impactados negativamente pela ausência de candidatos em debates. No caso do eleitorado feminino, 39% afirmaram “querer votar menos” em quem falta — entre eleitores do sexo masculino, 35% responderam dessa forma. A mesma pesquisa mostrou que a indefinição das mulheres na eleição presidencial é maior do que a dos homens: 13% das eleitoras disse não ter definido em quem votar, e 8% afirmaram votar em branco ou nulo; entre os eleitores, são 7% os indecisos, e 6% os que dizem votar branco ou anular. No recorte por escolaridade, 60% dos eleitores que cursaram até o ensino fundamental dizem que a ausência de candidatos em debates “não afeta” a decisão de voto, quase o dobro do percentual (32%) dos que disseram “querer votar menos” nos faltantes. Entre os eleitores com ensino superior, a margem é mais estreita: 55% afirmaram que a ausência “não afeta” a decisão de votar em determinado candidato, mas outros 43% responderam que impacta negativamente. No recorte por idade, a pesquisa identificou que os mais jovens tendem a rejeitar em maior nível os candidatos que faltam a debates. De acordo com os dados obtidos pela Quaest, no eleitorado que tem de 16 a 34 anos, 46% afirmaram que a ausência “faz querer votar menos” em um candidato, enquanto 51% afirmaram que isso “não afeta” o voto. É justamente nessa faixa etária que o presidenciável Augusto Cury (Avante) obteve seu melhor desempenho na pesquisa presidencial divulgada nesta semana. Cury — que chegou a ameaçar faltar ao debate da Band, e criticou a ausência de Lula no encontro — marcou 14% de intenções de voto entre os eleitores de 16 a 34 anos. São os eleitores mais velhos que, segundo Quaest, se mostram menos afetados pela ausência de candidatos em debates: 63% dizem que isso “não afeta” seu voto. O levantamento ouviu mais de 2 mil eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro e está registrado sob o protocolo BR-07065/2026. A margem de erro é de dois pontos.