No primeiro confronto desta eleição, três candidatos faltaram, entre eles os dois primeiros nas pesquisas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Flávio Bolsonaro faltaram ao debate presidencial da Band — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo Foi frustrante o primeiro debate presidencial desta eleição. Estavam presentes no estúdio da Band apenas três dos seis candidatos que tinham o dever de comparecer: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Juntos, os três não somam 10% das intenções de voto, segundo o último Datafolha. Não foram debater nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem seu principal oponente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — os dois primeiros colocados nas pesquisas. Romeu Zema (Novo) também se negou a ir. Faltar a um debate é um desrespeito ao eleitor. É uma afronta a seu direito a informação. Eventos televisionados, em que as propostas são apresentadas, criticadas e discutidas, permitem ao cidadão avaliar melhor os candidatos antes de decidir seu voto. Confrontos de ideias num embate ao vivo são essenciais na democracia e não podem ser ignorados. O mesmo vale para entrevistas feitas por jornalistas profissionais, cujo preparo e cuja experiência lhes permitem inquirir os candidatos com mais profundidade e pertinência do que os influencers, podcasters e youtubers a que eles têm acorrido em busca de tratamento benevolente. É por isso lamentável que Lula e Flávio também tenham se recusado a comparecer a sabatinas da imprensa profissional, como a organizada pelos veículos da Editora Globo, entre eles O GLOBO (ao menos ambos confirmaram presença na entrevista que a TV Globo realiza a partir desta segunda-feira com os principais candidatos). Não faltam temas sobre os quais o eleitor ainda não foi devidamente informado. O nível de detalhamento a respeito do que cada um pretende fazer para desarmar a bomba fiscal é ínfimo. Na área da segurança, um sem-número de promessas parece inviável. Em educação, falta explicar o que será feito para cobrar e incentivar governadores e prefeitos responsáveis pelos resultados vexatórios nos níveis de aprendizado. Há pontos de interrogação também na saúde e em outras áreas cruciais para o futuro do Brasil. Apenas o questionamento firme num ambiente jornalístico profissional é capaz de elucidá-los com respostas satisfatórias. Infelizmente, a prática de evitar confronto de ideias tem larga história. A decisão sobre ir a debates costuma ser baseada em cálculo meramente eleitoral. Quem está na frente tende a fugir. Em 1989, na primeira eleição direta depois da redemocratização, Fernando Collor não foi a nenhum dos quatro realizados antes do primeiro turno. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso foi a apenas um dos três. Em 2006, Lula não foi aos três anteriores ao primeiro turno. É verdade que já houve eleições melhores, como 2002, quando Lula e José Serra compareceram aos principais debates, ou 2022, que também contou com participação expressiva. Essa deveria ser a regra. Mas não é. O futuro do Brasil não é um produto em busca da melhor vitrine. A distribuição de conteúdo por redes sociais e aplicativos de mensagens não informa o eleitor. Sem debates e sem o jornalismo profissional, ele fica à deriva e pode ser facilmente influenciado por discursos tão sedutores quanto mentirosos. Quando a intenção é manter controle total sobre o que os candidatos podem dizer, quem mais perde é a democracia.