Lula e Flávio não deveriam fugir ao questionamento a suas propostas dentro de ambiente jornalístico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/11-5-2026 e 19-5-2026 Os debates entre candidatos servem de guia ao eleitor antes de depositar o voto na urna. Postulantes aos mais altos cargos da República deveriam se empenhar em participar desses eventos para apresentar suas propostas e compará-las às dos adversários, sem receios de se expor a perguntas ou situações incômodas. Infelizmente não é o que se vê. São frustrantes os sinais dados até agora pelos candidatos à Presidência pelo PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, líderes nas pesquisas de intenção de voto. Eles têm sido ambivalentes sobre a participação nos debates. Lula tem manifestado dúvidas. Na semana passada, disse que avaliará o “nível” antes do encontro. “Enquanto presidente, não vou para debate para ouvir bobagem”, afirmou ao podcast Inteligência Ltda. A decisão de Lula pode ter reflexo em Flávio. Estrategistas da campanha do senador têm dito que ele só comparecerá se confirmada a presença do presidente, informou o blog Malu Gaspar, no GLOBO. Representantes das duas campanhas já participaram de reuniões preparatórias sobre o primeiro debate, marcado para o dia 23, mas por ora a incerteza persiste. Nenhum dos dois deveria evitar debater. Para o eleitor, há questões relevantes e urgentes a tratar, e seria péssimo o silêncio às vésperas do pleito. Uma delas é a dramática situação fiscal herdada pelo próximo ocupante do Palácio do Planalto, seja ele quem for. É fundamental que Lula e Flávio digam o que farão a respeito da pressão sobre os cofres públicos. Disso obviamente dependerão todas as políticas que pretendem implantar. Há visões diferentes sobre esse e outros assuntos que precisam ser confrontadas. É o caso de segurança pública, hoje a maior preocupação dos brasileiros, educação e saúde. Os candidatos podem se sentir mais à vontade quando entrevistados por youtubers, podcasters ou influenciadores digitais, quase sempre de canais amigos que os tratam com deferência. Em geral, são entrevistas sob medida para alavancar as campanhas. Mas elas normalmente não têm espaço para o questionamento aprofundado e o contraditório, que caracterizam o jornalismo profissional, cujo compromisso não é produzir cortes atraentes para as redes sociais, mas honrar princípios editoriais transparentes regidos pelo interesse público. As campanhas têm direito a fazer propaganda que siga a legislação eleitoral, mas debate é outra coisa. Nele, o candidato é confrontado por jornalistas e demais candidatos sobre temas relevantes, para os quais exigem-se respostas concretas, e não firulas midiáticas. Líderes nas pesquisas de intenção de voto, Lula e Flávio não deveriam fugir dos debates temendo perder apoio. A ausência dos dois, além de desrespeitar o eleitor, reduz o acesso a informações relevantes sobre propostas de governo e representa um retrocesso para a democracia. Apenas debates conduzidos pelo jornalismo profissional de forma equilibrada e com regras claras podem informar a sociedade de modo fidedigno e competente. Antes de se dirigirem à cabine de votação, os brasileiros têm o direito a saber detalhadamente o que os candidatos pensam e o que pretendem fazer sobre os problemas que afligem a população. Seria trágico se, por capricho desses candidatos, descobrissem em quem votaram só depois das eleições.