A possibilidade de os dois principais postulantes à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), evitarem os debates eleitorais é um péssimo sinal para a democracia brasileira.
A decisão pode fazer sentido para as campanhas, mas contraria o interesse público e priva o eleitor de um dos poucos momentos em que quem pretende governar o país é obrigado a confrontar ideias, responder perguntas difíceis e defender suas propostas diante dos adversários.
Os debates de hoje estão longe do modelo ideal. Tornaram-se excessivamente controlados pelas assessorias. Regras negociadas à exaustão, blocos engessados e intervenções milimetricamente calculadas buscam expor os candidatos o mínimo possível, reduzindo riscos e improvisos. Ainda assim, continuam sendo um espaço insubstituível.
Quando há perguntas de jornalistas profissionais, os candidatos precisam responder a questionamentos independentes, muitas vezes incômodos, e não apenas repetir mensagens do marketing.
Quando podem inquirir diretamente os adversários, revelam diferenças de visão, prioridades, capacidade de argumentação e preparo para governar. Nada disso aparece com a mesma força em programas e peças eleitorais.










