Neutralidade dos partidos do Centrão é uma das principais características desta eleição presidencial Pré-candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Andressa AnholeteAgência Senado Em 2022, apenas 69 deputados pertenciam a partidos que não lançaram e nem apoiaram nenhum dos candidatos a presidente da República. Este ano, salvo algum movimento de última hora, serão 178. A decisão dos partidos do Centrão de se ausentar da eleição presidencial é uma das principais características desta sucessão. Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu ampliar a sua frente nem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu a adesão de partidos que compuseram o governo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e nem as demais candidaturas presidenciais de direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), saíram do isolamento. Flávio tentou movimentos de última hora, na reta final das convenções, com um palpite duplo. Convidou formalmente a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ser sua vice e tentou uma oferta hostil sobre o Republicanos, com a filiação da economista Daniela Marques à revelia da direção nacional da sigla. O PP fechou a porta, com uma nota oficial divulgada na sexta-feira (31 de julho) pela sigla reafirmando a sua decisão de permanecer na neutralidade. O Republicanos deve ir pelo mesmo caminho na convenção do partido programada para esta terça-feira (4). Flávio parece destinado a formar a sua chapa com um nome do próprio PL. Também está na legião dos sem-candidatos o MDB, que na segunda-feira (27) oficializou a decisão de ficar neutro, pela primeira vez desde 2006. Ao longo do ano Lula demonstrou interesse de atrair o partido, mas esbarrou na eterna divisão dos emedebistas e na decisão do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) de não trocar a presença na chapa presidencial por um projeto eleitoral local em São Paulo. Alckmin sinalizou no começo do ano que ou disputaria a reeleição ou voltaria para casa. Sem ter a vice para oferecer ao MDB, a conversa morreu no nascedouro. Lula não fez movimentos para atrair ao seu palanque o União Brasil ou o Republicanos. Apesar de ter aberto dez pastas em seu ministério para o Centrão, em nenhum momento esteve perto de expandir sua aliança. O presidente deve formalizar sua candidatura neste domingo (2), agregando apoio apenas do PDT à sua aliança original com o PSB e a federação entre o Psol e o Rede. O ex-governador Romeu Zema (Novo) formalizou sua candidatura presidencial em Brasília na segunda-feira (27) rodeado pelos bolsonaristas que compõem a sigla e sem nome para vice. Zema tentou várias conversas para sair do isolamento. Sinalizou que procuraria o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (DC), fez um balão de ensaio ao sugerir o nome do empresário Geraldo Rufino (Podemos) e falou com o escritor Augusto Cury, pré-candidato presidencial até segunda ordem pelo Avante, com convenção prevista para esta segunda-feira (3), em São Paulo. Por enquanto, segue sem vice. Ronaldo Caiado, formalizado no sábado passado (25), terá a companhia do presidente nacional da sigla, Guilherme Kassab. Renan Santos (Missão) também irá de chapa pura. O descolamento do Centrão em relação à eleição presidencial terá como principal consequência uma certeza: o presidente que vier a ser eleito em outubro, seja quem for, governará em minoria na Câmara e no Senado, em um país polarizado e provavelmente com uma popularidade de saída não muito alta. Se o Congresso criou dificuldades para Dilma Rousseff, Bolsonaro e Lula, para ficar nos últimos três presidentes eleitos, estas deverão escalar a partir de 2027, em um cenário mais adverso para o titular do Palácio do Planalto.
Análise: Lula e Flávio chegam à reta final das convenções sem ampliar alianças
Neutralidade dos partidos do Centrão é uma das principais características desta eleição presidencial










