Eleições 2026
A pesquisa recente da Atlas/Bloomberg concentrou atenções por ser a primeira a refletir a polêmica mais recente envolvendo o racha entre Flávio e Michele Bolsonaro. Ela mostra o presidente Lula quase sete pontos à frente do rival; o que, numa eleição que promete ser apertada, é uma dianteira considerável.
Por outro lado, a corrida eleitoral deste ano parece, paradoxalmente, ainda mais instável que a anterior, em que Jair Bolsonaro já dava sinais claros do que pretendia mais de um ano antes do pleito: um golpe (que para eles era um “contragolpe”) caso perdesse a eleição. Este ano, a impressão que temos é que qualquer revelação ou evento inesperado poderia mudar, de forma repentina e radical, o resultado eleitoral.
Por mais que o horizonte até outubro prometa ser de fato bastante confuso, podemos buscar indícios mais estruturais do rumo geral que as coisas estão tomando, por detrás da névoa mental que tomou conta da política. Um dado do levantamento Atlas/Bloomberg ao qual não foi dada muita atenção me pareceu significativo nesse sentido: 48,8% dos brasileiros declararam ter “medo ou preocupação” com a eleição de Flávio Bolsonaro, enquanto 42,4% receiam a eleição de Lula.
Curiosamente, é uma inversão cravada dos números da intenção de voto em segundo turno na mesma pesquisa (48,8% para Lula, e 42,3% para Flávio). A curva longitudinal das duas perguntas segue em sincronia próxima desde o início do ano, tendo sofrido a inversão a favor de Lula apenas recentemente.






