A campanha mais desanimada desde a redemocratização começou com um debate com apenas três candidatos cujas intenções de voto somadas mal chegam a 10%. É um desrespeito ao eleitor faltar a essa oportunidade de se mostrar sob pressão. Será que Lula e Flávio faltarão a todos? Se faltarem, no entanto, isso cobrará qualquer preço nas urnas?
O debate não é um bom lugar para expor detalhes de propostas; não se espera grande precisão em falas improvisadas. Por ser um ambiente não controlado e de disputa, é o lugar ideal para ver as pessoas que disputam o poder emergirem, ainda que brevemente, por detrás dos personagens cuidadosamente desenhados pelas peças de campanha.
Ver cada um deles prometendo medidas mais duras contra o crime —popularíssimas— não nos diz nada e não custa nada para eles. Agora, perguntar sobre medidas impopulares que terão de tomar pode nos ensinar um pouco mais. E não há tema mais impopular, nem mais importante, que o ajuste fiscal.
A boa notícia é que não se ouvem mais as vozes que diziam que um Estado com dívida em sua própria moeda não precisa se preocupar com as contas públicas. Todo mundo repete, ao menos da boca para fora, seu compromisso com "o fiscal". A má notícia é que o tema sumiu da campanha, teve no máximo acenos genéricos dos três candidatos no debate de domingo e nada indica que Lula ou Flávio farão diferente.













