Embate não muda polarização, apesar de ausências 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 São Paulo (SP), Canditados durante o 1° Debate entre candidatos a Presidência da República as dependências da TV BAND. Foto: Maria Isabel Pimenta — Foto: Maria Isabel Oliveira Lula e Flávio Bolsonaro devem ter respirado aliviados ao fim do debate da Band, realizado em pool com outros veículos. O nível da discussão foi tão pobre que o eleitor de ambos teve razões de sobra para trocar uma decepção com a ausência dos favoritos por uma solidariedade com sua decisão. O desafio de Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury era se tornarem conhecidos para, no decorrer da campanha, quem sabe, despontarem como uma terceira via possível diante da polarização bastante consolidada. Nesse sentido, falharam miseravelmente. O show de Renan para a machosfera, as pílulas de autoajuda lançadas por Cury e uma mal ajambrada coletânea de realizações de seu governo em Goiás produzida por Caiado não chegaram, em nenhum momento, a configurar um debate de fato, em que os candidatos —a presidente da República! — formulassem propostas viáveis para problemas concretos do país e dos eleitores. As medidas extremas metralhadas por Renan entre uma ofensa de boteco e outra a Lula, Flávio e, de forma bastante gratuita, à primeira-dama Janja da Silva são todas inviáveis à luz da Constituição, e ele não falou em nenhum momento como pretende lidar com o Congresso para aprová-las. Caiado não conseguiu se distinguir de dois oponentes alheios à política e fazer da experiência que tem um trunfo capaz de conquistar os eleitores independentes, que oscilam entre os favoritos ausentes, ou os indecisos. É lamentável que os favoritos fujam do confronto de ideias faltando menos de dois meses da eleição. Ainda mais diante de uma lista importante de esqueletos nos armários de ambos, como o escândalo Dark Horse do filho de Bolsonaro e as traficâncias de Lulinha, filho do presidente. Vai ficar para em cima da hora do voto, no debate da Globo, o único momento de tête-à-tête entre Lula e Flávio, o que é um desserviço para o eleitor. Dito isso, há que se alterar as regras dos debates de forma que candidatos a lacradores não capturem a discussão, como aconteceu com Pablo Marçal em 2024 e de novo ontem. Esse tipo de comportamento de circo acaba por dar aos fujões uma justificativa com a qual o eleitor comum, que não está interessado em espetáculo, é capaz de se identificar. Diante do que se viu — dois favoritos que não se dignam a debater, e um outro conjunto de candidatos fracos e sem propostas consistentes—, não admira que a disputa de 2026 esteja baseada, mais do que nunca, numa batalha de rejeições.
O desafio de Caiado, Renan Santos e Augusto Cury no debate era se destacar, mas todos falharam miseravelmente
Embate não muda polarização, apesar de ausências












