Pesquisa Quaest contratada pelo GLOBO e pela TV Globo aponta que 57% dos eleitores consideram que a ausência de candidatos em debates "não afeta a decisão de voto". O levantamento mostrou, por outro lado, que 37% dizem "querer votar menos" em candidatos que faltam a debates. As ausências, de acordo com o levantamento, afetam principalmente os eleitores "independentes", que não se definem nem à esquerda, nem à direita, e são considerados um setor-chave para a disputa presidencial deste ano. O levantamento foi realizado entre 30 de agosto e 1º de setembro, com mais de 2 mil entrevistas em todo o país, e está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-07065/2026. A margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos. Segundo a pesquisa, outros 3% dos entrevistados afirmaram "querer votar mais" em candidatos que faltam, e 3% não souberam ou não quiseram responder. Os eleitores que se identificaram à Quaest como "independentes" são os que se dividem de forma mais acirrada nesse tema: 45% disseram "querer votar menos" em candidatos ausentes em debates, enquanto 50% afirmaram que as faltas não impactam em sua decisão de voto. Considerando a margem de erro, as duas respostas estão empatadas nesse segmento. Já os eleitores "lulistas" e "bolsonaristas" tendem a se mostrar menos afetados pela ausência de candidatos em debates, de acordo com a pesquisa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se ausentaram do primeiro debate entre presidenciáveis, realizado pela TV Band em agosto. Eles tampouco garantiram presença até agora no debate do próximo dia 14, que será transmitido por um pool de emissoras e veículos de imprensa. A Quaest também apontou que as mulheres e eleitores com ensino superior tendem a se mostrar mais impactados negativamente pela ausência de candidatos em debates. No caso do eleitorado feminino, 39% afirmaram "querer votar menos" em quem falta — entre eleitores do sexo masculino, 35% responderam dessa forma. A mesma pesquisa mostrou que a indefinição das mulheres na eleição presidencial é maior do que a dos homens: 13% das eleitoras disse não ter definido em quem votar, e 8% afirmaram votar em branco ou nulo; entre os eleitores, são 7% os indecisos, e 6% os que dizem votar branco ou anular. No recorte por escolaridade, 60% dos eleitores que cursaram até o ensino fundamental dizem que a ausência de candidatos em debates "não afeta" a decisão de voto, quase o dobro do percentual (32%) dos que disseram "querer votar menos" nos faltantes. Entre os eleitores com ensino superior, a margem é mais estreita: 55% afirmaram que a ausência "não afeta" a decisão de votar em determinado candidato, mas outros 43% responderam que impacta negativamente. Mais jovens se dividem No recorte por idade, a pesquisa identificou que os mais jovens tendem a rejeitar em maior nível os candidatos que faltam a debates. De acordo com os dados obtidos pela Quaest, no eleitorado que tem de 16 a 34 anos, 46% afirmaram que a ausência "faz querer votar menos" em um candidato, enquanto 51% afirmaram que isso "não afeta" o voto. É justamente nessa faixa etária em que o presidenciável Augusto Cury (Avante) obteve seu melhor desempenho na pesquisa presidencial divulgada nesta semana. Cury -- que chegou a ameaçar faltar ao debate da Band, e criticou a ausência de Lula no encontro -- marcou 14% de intenções de voto entre os eleitores de 16 a 34 anos. Já no eleitorado acima de 60 anos, ele aparece com 4%. São justamente os eleitores mais velhos que, de acordo com a pesquisa Quaest, se mostram menos afetados pela ausência de candidatos em debates: 63% dos entrevistados nessa faixa etária afirmaram que isso "não afeta" seu voto, enquanto 27% disseram afetar negativamente. Na atual rodada de levantamentos da Quaest sobre a corrida presidencial, Lula apareceu com 37% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 31%. Cury apareceu em terceiro, com 10%, em um salto puxado por seu desempenho entre os eleitores independentes.
Pesquisa Quaest: 57% dizem que ausência de candidato em debate 'não afeta decisão de voto'
Levantamento contratado pelo GLOBO e pela TV Globo mostra que 37% dizem 'querer votar menos' em quem falta; impacto é mais negativo entre eleitores 'independentes'








