Debaixo de uma bandeira branca, tensionada por um grande arco e flecha que aponta, simultaneamente, para o céu e para a terra, Luana Vitra reflete sobre o desejo, a violência e os massacres que marcam as guerras da atualidade. Esse é "Bandeira Branca", o novo trabalho da artista mineira que se volta para os metais de terras raras, insumos estratégicos para a indústria moderna e a transição energética.
Depois de se destacar em três bienais pelo mundo nos últimos três anos, Vitra foi selecionada pelo novo programa de parceria entre a Chanel e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, que agora cede seu famoso octógono para a instalação.
"O que torna seu trabalho especial é sua urgência no momento em que vivemos. E como ela não põe o dedo na ferida, mas fala disso de uma forma muito poética. Ela trata o assunto de forma direta, mas com a liberdade de uma artista", diz Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca.
Sua formação é um cruzamento entre diferentes artes. Quando criança, Vitra se alfabetizou por meio da poesia. Sua mãe, pedagoga, fazia com que ela decorasse um poema atrás do outro, enquanto seu pai, marceneiro, a levou pelos caminhos da artesania e da manualidade. "Tudo isso criou em mim uma maneira de ler o mundo", afirma Vitra.








