Sobre a tela, é possível ver faixas com diferentes tonalidades, como azul, rosa e vermelho. Nesse trabalho, o sul-coreano Nam June Paik retratou a barra de cores que costumava aparecer em aparelhos de televisão. Em cima das faixas cromáticas, o artista pintou elementos da caligrafia chinesa, promovendo uma fricção entre uma tecnologia moderna e um saber ancestral.
"É a cultura de massas norte-americana representada pela televisão com uma caligrafia que remete a um poema delicado sobre a natureza", diz Luisa Duarte, curadora ao lado de Daniela Avellar da exposição "Morar na Cor", onde a tela de Paik é um dos destaques. "É uma espécie de encontro entre culturas diferentes."
Em cartaz na galeria Flexa, na zona sul do Rio de Janeiro, a mostra leva ao público o trabalho de 42 artistas, como Abraham Palatnik, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Lygia Pape e Tomie Ohtake. Embora tenham estilos diferentes, as obras reunidas na exposição compartilham a exuberância cromática.
É isso o que pode ser visto nas bandeirinhas multicoloridas de Alfredo Volpi ou em uma escultura de Anish Kapoor tão amarela que pode provocar vertigem no observador.
Há também as formas geométricas avermelhadas de Lygia Pape, autora de um texto que inspirou o nome da exposição. Publicado em 1988, o ensaio se debruça sobre a vivacidade cromática de casas do Rio de Janeiro. "É um texto sobre a sabedoria intuitiva que existe no uso das cores nos subúrbios cariocas", diz Duarte.










