Exposição reúne 12 obras que exploram relação entre arte e tecnologia, vista como parte essencial da evolução humana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Obra 'Reflexão #3' (2005), de Raquel Kogan, em exposição no Museu do Amanhã — Foto: Albert Andrade/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A exposição 'Síntese', em cartaz no Museu do Amanhã, reúne doze obras que exploram a relação histórica entre arte e tecnologia. O curador Leno Veras propõe que a técnica é parte essencial da evolução humana. A mostra exibe fiações expostas para revelar a estrutura por trás das máquinas. Os visitantes interagem com criações que vão de máquinas de escrever digitadoras de insetos até a famosa coelha fluorescente Alba, de Eduardo Kac. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Afinal, a Humanidade será mesmo substituída por um maquinário que, a passos largos, parece conseguir reproduzir nossas funções — às vezes, até de forma melhor? Não sabemos se o avanço acelerado das tecnologias representa, “meu amor, o fim da odisseia terrestre”. Mas, por ora, a exposição “Síntese — Arte e tecnologia na coleção Itaú”, que abriu ontem ao público no Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio, propõe reflexões sobre o nosso futuro na relação com essas aplicações. Com curadoria de Leno Veras, a mostra reúne 12 obras de nomes importantes que atuam na interseção entre arte e tecnologia do mundo todo, como Regina Silveira, Christa Sommerer, Laurent Mignonneau, Eduardo Kac, Julio Plaza, Moysés Baumstein, Rejane Cantoni, Leonardo Crescenti, Gilbertto Prado e Raquel Kogan. Antes do Rio, “Síntese” passou por cidades como Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília e pelo Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (Maat), em Lisboa. Obra 'Ultra nature' (2008), de Miguel Chevalier, em exposição no Museu do Amanhã — Foto: Albert Andrade/Divulgação Todos os trabalhos, como diz o título, pertencem à coleção da Fundação Itaú, que, nos últimos 40 anos, reuniu um acervo de obras que emprestam um olhar artístico sobre a tecnologia, usando-a como força de criação. Na mostra, essas produções percorrem um arco que se inicia na década de 1980 e evidencia tanto a evolução dos recursos tecnológicos quanto a criatividade de invenções que, em sua época, eram hiperinovadoras. — Não é uma defesa, pelo contrário. Mas fazemos os questionamentos necessários para pensar como a tecnologia, na verdade, faz parte do humano. O humano se diferencia na evolução natural a partir da condição técnica que fez, no paleolítico, a pedra lascada virar pedra polida, e isso é tecnologia — diz o curador. — A ideia de que a Humanidade se forma através da técnica é fundamental para entender nossa existência. A defesa aqui é que nós somos humanos, natureza e tecnologia. A maioria das obras é interativa. Ao adentrar o espaço, o visitante depara com uma máquina de escrever, criada por Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, que, em vez de letras e números, digita insetos que voam e se reproduzem sobre a brancura do papel. Em outra obra, de Edmond Couchot e Michel Bret, há captadores que permitem que o visitante sopre para que pétalas de dentes-de-leão voem pela tela. — Temos visto certa dificuldade de se aprofundar. Você pode soprar no microfone para o dente-de-leão voar e só; é um comando digital. O dente-de-leão não existe. Mas também pode pensar em algo além desses movimentos porque tem uma discussão sobre o uso que a gente faz dessas tecnologias, para que elas servem e se servem para alguma coisa — observa Camila Oliveira, gerente de conteúdo do museu. Obras interativas de Gilbertto Prado ('Desertesejo') e Regina Silveira ('Odisseia') em mostra no Museu do Amanhã — Foto: Albert Andrade/Divulgação A mostra reúne ainda obras famosas do gênero, como “Alba”, de Eduardo Kac, que apresenta a gravura de uma coelha geneticamente modificada por meio de procedimentos que a fazem apresentar uma pelagem verde fluorescente. ‘Alimentar ou matar’ E já que os chatbots estão em alta, há provocações sobre o uso da inteligência artificial em momentos do percurso: — Trata-se de aprender a lidar com algo que pode ser cortante, que pode tanto alimentar quanto matar — diz Leno. Envelopada pelo breu de uma sala completamente escura no museu, a mostra deixa à vista elementos da expografia que nem sempre são revelados ao público. Fios, por exemplo, aparecem expostos. Segundo Leno, esse cenário é proposital. — A gente não esconde nada aqui. A ideia é mostrar que por trás de uma máquina existe um corpo, toda uma estrutura, cheia de fios — diz ele, ao apontar para um divisor transparente por onde é possível ver a fiação exposta por trás de um dos trabalhos.