As pinturas de Tiago Tebet não têm fim. Na manhã da quarta-feira passada, ao passear pela sua mostra "Between You and Me, the Sun and the Moon", na galeria Luciana Brito, em São Paulo, o artista puxou um dos painéis deslizantes onde obras ficam arquivadas para mostrar uma das telas feitas para a exposição, em cartaz até o dia 27 de junho. Ao bater o olho no quadro, ele indagou se havia sido guardado ao contrário.
A tela, de fundo vermelho fosco, é atravessada na diagonal por uma onda de pinceladas brancas e amarelas em círculos sobrepostos, separando a pintura em duas seções, uma com menos elementos e mais presença do fundo rubro, e outra com outras linhas circulares e manchas escuras. Tebet inspecionou o verso, onde assina seu nome, o título e a data em caneta, e concluiu que havia definido, de início, a seção mais vazia como a parte de cima do quadro. Mas aquilo parecia estranho.
Insatisfeito, ele entrou inquieto nas salas administrativas da galeria em busca de uma caneta, com a qual riscou e reescreveu, de ponta-cabeça, as informações no verso do quadro, redefinindo seu sentido.
O artista de 40 anos não tem apego com suas obras. Durante todo o período de criação, trabalha em várias telas ao mesmo tempo, testando cores, materiais, composições. A produção começa com exercícios, sem preocupação com a forma final.












