Ao aproximar o ouvido da estrutura em formato de corneta, um som grave evoca solidão e isolamento. São ruídos que parecem transportar o ouvinte para o interior de uma caverna, onde tudo é escuro, desolador e misterioso. De certa forma, essa sensação permeia, em maior ou menor grau, os nove trabalhos de Camila Sposati na exposição "Matéria da Matéria".
Em cartaz na galeria Mazzucchelli Cardoso, na zona oeste da capital, a mostra reúne obras que a artista produziu ao longo de 15 anos. São peças como as esculturas da série "Phonosophia", trompetas sinuosas esculpidas a partir da argila. Para Sposati, esses instrumentos não são apenas objetos, mas sim sujeitos dotados de autonomia e independência.
"É a ideia de que um objeto artístico também escolhe por quem ele quer ser manuseado, ou seja, ele não é completamente dominado", diz a artista. A impossibilidade do controle absoluto está presente também nas formações geológicas que inspiraram os trabalhos presentes na exposição.
"Phonosophia", por exemplo, nasceu a partir da instalação "Teatro Anatômico da Terra" —obra que a artista fez na ilha de Itaparica, em 2014, durante a Bienal da Bahia.
À época, ela cavou um buraco nos fundos de um casarão colonial para construir um teatro em forma de funil, referência aos espaços renascentistas para exibir dissecações de cadáveres. O barro resultante das escavações inspirou a artista a esculpir instrumentos musicais que deram origem à série "Phonosophia".











