Redes de pesca reúnem pedras, sandálias, garrafas e outros objetos. Elas pendem do teto com materiais antes submersos, afastados do olhar humano. Para Carolina Caycedo, cada uma representa um universo, composto por memórias diferentes.

"As tarrafas [redes circulares] carregam heranças e cosmologias. São flexíveis —agarram o sustento, mas deixam a água passar. A sociedade seria melhor se fosse como elas", diz a artista, cujas pinturas, fotos e instalações denunciam distâncias entre o homem e o espaço.

Criada às margens do rio Magdalena, que tem sido afetado pela construção de barragens, a colombiana abre "Confluências", a sua primeira mostra individual no Brasil, com um par de olhos. Espécie de manifestação das forças aquáticas, a escultura inverte a hierarquia entre observador e paisagem.

Feita com bacias de vidro e presa à parede por redes, a peça vigia os espectadores que perambulam pelo Masp, em São Paulo. É um jeito, afirma Caycedo, de nivelar relações entre a humanidade e a natureza, já que a obra revê tradições coloniais, que reduzem ambientes ao extrativismo.

É dessa subversão que vêm, também, trabalhos da autora que exibem terras reviradas, lagos ressecados e a destruição de outras fontes naturais. Na primeira sala da mostra, por exemplo, paredes opostas ilustram um ciclo simbólico.