Um corredor de água brota entre folhas espalhadas pelo chão. É dessa pintura que surge o nome "Água da Mata", mostra de Miguel Penha Chiquitano que fica em cartaz na Zipper Galeria, em São Paulo, até agosto.

Nascido às margens do rio Cuiabá, no Mato Grosso, o artista passou a infância próximo a plantas e fez delas sua matéria-prima. Com o tempo, reverteu o conhecimento em quadros que detalham raízes, caules e copas de árvores, além de inserir as estruturas vegetais em cenários com algum grau de fantasia.

Isso porque o pintor mistura, em seu processo criativo, suas observações diárias e as lembranças da época em que vagava pela floresta com o pai biológico, um indígena do povo Chiquitano.

"A arte me conecta com minha origem", diz o artista. "Ela me aproxima da origem de meus ancestrais, longe desse mundo tão tecnológico e alienado."

Hoje, aos 64 anos, ele vive no município de Aldeia Velha, na Chapada dos Guimarães, onde vê o Cerrado e o Pantanal do conforto do ateliê. Foi ali que nasceu a mãe do artista, mulher da tribo Bororo e de quem foi afastado ainda jovem, quando decidiram que estaria mais seguro com um casal do Distrito Federal.