"Eu decidi nunca trabalhar. Só curtir", diz Antonio Peticov sobre a própria trajetória, enquanto caminha por entre as mais de 400 obras reunidas em sua mostra. Com trabalhos que atravessam o folclore brasileiro, modelos matemáticos, tragédias americanas e o universo psicodélico, ele define sua produção como um lugar em que prazer e experimentação se confundem.

Peticov ganha, agora aos 80 anos, a maior retrospectiva de sua carreira no Centro Cultural São Paulo, na zona sul da cidade. A exposição que abre nesta quarta-feira (3) reúne pinturas, gravuras, capas de discos, esculturas e instalações feitas ao longo de seis décadas.

"Uma vez vi numa exposição uma placa de mármore escrita: ‘Artista sem galeria é artista morto’. E eu acredito muito nisso", lembra. Sem representação fixa ao longo da carreira, Peticov afirma que sempre construiu sozinho os seus caminhos de circulação. "A galeria divulga o artista, espalha o trabalho. Eu nunca tive isso."

A retrospectiva, explica, nasce justamente da vontade de reunir em ampla escala uma produção raramente concentrada numa única instituição. Embora aprovado pela Lei Rouanet, o projeto não conseguiu captar patrocínio privado e acabou sendo realizado com a ajuda de amigos do artista.