Pedrão, como é carinhosamente chamado no meio da fotografia, é um grande ídolo e referência da imagem analógica. Como todo clássico, sua obra nos faz lembrar — em tempos de pixels — expressões como filmes “puxados” na revelação, fotografias granuladas e os tão amados grãos. Pedrão é mestre. Com mais de 60 anos de profissão, Pedro Martinelli é conhecido principalmente por seu trabalho na fotojornalismo. Iniciou sua carreira em A Gazeta Esportiva, em 1967, passando também pelo Diário do Grande ABC entre 1968 e 1970 e por O Globo entre 1970 e 1975. Nesse período, participou da expedição liderada por Cláudio Villas-Boas e Orlando Villas-Boas durante a abertura da rodovia Cuiabá–Santarém, ocasião em que realizou registros históricos dos Kranhacãrore, hoje conhecidos como Panará. Posteriormente, atuou na revista Veja e foi chefe do Estúdio Abril na década seguinte. Seu trabalho com os Kranhacãrore ganhou um novo capítulo 25 anos depois, quando reencontrou os Panará e documentou seu retorno ao território original, então marcado pela exploração agropecuária, madeireira e por garimpos ilegais. Dessa experiência nasceu o livro "Panará, a volta dos índios gigantes" (1998). Ao optar por uma trajetória independente, Martinelli afastou-se da dinâmica acelerada das redações e passou a dedicar-se à documentação das populações amazônicas. Dessa pesquisa surgiu o livro "Amazônia – O povo das águas", publicado em 2000. Publicou também "Casas paulistanas" (1998) e "Mulheres da Amazônia" (2003). Entre suas exposições mais relevantes estão a mostra individual realizada no Memorial da América Latina, em 2004, e a 4ª e a 13ª edições da exposição Coleção Pirelli/Masp de Fotografia, realizadas em 1994 e 2004 no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. A exposição "O Tempo e o Pedro", na Galeria Mario Cohen, com texto de apresentação de Leão Serva, reúne 22 fotografias e aproxima dois momentos da produção de Martinelli. De um lado, o ensaio realizado em 1991 nos hangares da Varig, dedicado à aposentadoria dos aviões Lockheed L-188 Electra da ponte aérea Rio–São Paulo. De outro, fotografias produzidas ao longo de sua extensa vivência na Amazônia, região que documentou desde os anos 1970 e onde viveu intensamente após deixar o Estúdio Abril, em meados da década de 1990. Mario Cohen convida Martinelli a revisitar esse conjunto e percebe afinidades inesperadas entre as fotografias dos aviões e aquelas produzidas na Amazônia. Hélices, rebites e estruturas metálicas passam a dialogar visualmente com fornos de beiju, partículas suspensas e formas circulares presentes na paisagem amazônica. Em comum, surge a assinatura de Pedrão: a baixa luminosidade, o longo tempo de exposição e os intensos grãos das fotografias. O Tempo e o Pedro 1 de 8 Electra Fusilagem 4, São Paulo, 1991/1992 — Foto: Pedro Martinelli 2 de 8 Lago Uiacurapá, Amazonas, 1995 — Foto: Pedro Martinelli 8 fotos 3 de 8 Electra Hangar da Varig, São Paulo, 1991_1992 — Foto: Pedro Martinelli 4 de 8 Lago Badajós, Amazonas, 1995 — Foto: Pedro Martinelli 5 de 8 Electra Saguão, São Paulo, 1991_1992 — Foto: Pedro Martinelli 6 de 8 Rio Içana, Amazonas, 1997 — Foto: Pedro Martinelli 7 de 8 Electra aeroporto, São Paulo, 1991_1992 — Foto: Pedro Martinelli 8 de 8 Paraná do Mocambo, Amazonas, 1995 — Foto: Pedro Martinelli Confira algumas imagens da exposição de Pedro Martinelli Exposição "O Tempo e o Pedro"30 de maio a 24 de julho de 2026 Galeria Mario Cohen - Rua Capitão Francisco Padilha, 69, Jardim Europa, São PauloFuncionamento: terça a sexta, das 11h às 18h; sábados, das 11h às 16h. Entrada gratuita.