Em mostra no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Rio, artista dá sua versão sobre conflito com a família do ex-marido, inclusive afirmando responder a 23 ações judiciais Obra da artista Paula Parisot em frente a painel de 10 x 4,5 metros — Foto: Guito Moreto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Paula Parisot reivindica sua posição como escritora e alguém com autonomia para falar sobre suas lutas e a própria existência. A exposição “E eu me levanto e conto uma história”, em cartaz no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Centro do Rio, reúne vídeos em que Parisot dá sua versão da experiência em sua vida, inclusive afirmando responder a 23 ações judiciais. As obras, produzidas desde 2018 por Parisot, surgem com delicadeza. Muitas delas, monocromáticas, contam com diferentes suportes, como aquarela, gesso e elementos tridimensionais, em composições detalhadas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Como muitas pessoas, Paula Parisot precisa encontrar forças para continuar enfrentando os leões em sua vida. Os felinos surgem aqui como metáfora: na vida da artista, eles podem ser os próprios seres humanos e os conflitos do cotidiano. No caso, ela precisou descobrir qual caminho seguir em meio à disputa pela herança de seu ex-marido, Richard Haber, que morreu em 2016 em decorrência de um câncer no cérebro, com a família dele e ao impacto disso na vida dos dois filhos do casal, hoje com 15 anos. É a partir desse contexto que nasce a exposição “E eu me levanto e conto uma história”, em cartaz no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Centro do Rio, na qual Parisot reivindica sua posição não apenas como escritora — foi discípula e amiga de Rubem Fonseca (1925–2020) — mas também como alguém com autonomia para falar sobre suas lutas e a própria existência. Obra da artista Paula Parisot — Foto: Guito Moreto Atualmente, ela também apresenta suas obras na individual “Geometria da memória”, no Museu de Arte de Brasília, partindo da perspectiva de que experiências pessoais podem se conectar a vivências coletivas. — As histórias são individuais e não são, porque em algum momento se cruzam. É como quando você vê um filme que, às vezes, não tem nada a ver com sua vida, mas acaba se identificando com aquele sentimento ou situação de alguma maneira — diz Parisot, diante de uma grande obra de 10 x 4,5 metros que sintetiza sua experiência por meio de formas coloridas que se encontram e, em alguns momentos, se mesclam. — Estamos falando da vida de uma mulher... Mas as vidas de outras acabam se encontrando. E, se você começa a ter uma rede (de contatos), cada uma vai se apoiando. Por isso, é um ato político. Procura da história No caso, a artista, que vive em Buenos Aires, na Argentina, com os filhos, tem uma rede com várias mulheres que compartilham suas histórias de vida. Um de seus contatos mais próximos é o da escritora portuguesa Susana Moreira Marques, cuja obra aborda histórias de mulheres e o dia a dia feminino. — Trabalhamos em um mundo com um discurso coletivo que vem muito do pensamento masculino. Muitas vezes é difícil nós (mulheres) sabermos qual é nossa história. Há que se fazer uma procura dessa história, que poderia ser contada de outra maneira se não aparecessem mulheres que reivindicam esse direito — diz Susana. Obra da artista Paula Parisot em frente a painel de 10 x 4,5 metros — Foto: Guito Moreto A mostra no Rio reúne vídeos em que Parisot dá sua versão da experiência em sua vida, inclusive afirmando responder a 23 ações judiciais. Não há tantos detalhes disponíveis sobre o assunto devido ao segredo de Justiça. Mas, segundo a versão da artista, o ex-cunhado, Eduardo Haber, teria passado a reivindicar a administração dos bens deixados por Richard, o que, segundo o ponto de vista de Paula Parisot, faria com que seus filhos ficassem sem garantias financeiras. — Você fica anos sem denunciar. Acontecia de tudo comigo, mas, quando chegou num ponto em que comecei a ter medo, tive que fazer isso. E estou aqui fazendo essa exposição também porque cansei. Cansei de ficar em silêncio — exclama a artista, que hoje conta com proteção policial. — Não tinha que estar brigando com ninguém. Meus filhos já perderam o pai quando eram pequenos. Estou nessa disputa desde que eles tinham cinco anos. Procurada pelo GLOBO, a defesa de Haber afirma que ele “nunca reivindicou nada” e que o “cuidado com o patrimônio de seus sobrinhos é resultado de declaração de vontade feita em testamento por seu irmão”. Declara ainda que sua família “sofre há mais de dez anos com atos já classificados pela Justiça argentina como tentativa de estelionato” (leia nota da defesa na íntegra ao fim do texto). Obras da artista Paula Parisot 1 de 7 Obra da artista Paula Parisot — Foto: Guito Moreto 2 de 7 Obra da artista Paula Parisot — Foto: Guito Moreto X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Obra da artista Paula Parisot em frente a painel de 10 x 4,5 metros — Foto: Guito Moreto 4 de 7 Obra da artista Paula Parisot — Foto: Guito Moreto X de 7 Publicidade 5 de 7 Obra da artista Paula Parisot — Foto: Guito Moreto 6 de 7 Obra da artista Paula Parisot — Foto: Guito Moreto X de 7 Publicidade 7 de 7 Obra da artista Paula Parisot em frente a painel de 10 x 4,5 metros — Foto: Guito Moreto . Colcha de experimentos As obras, produzidas desde 2018 por Parisot, surgem com delicadeza. Muitas delas, monocromáticas, contam com diferentes suportes, como aquarela, gesso e elementos tridimensionais, em composições detalhadas. Em vários momentos, a artista parece mesclar o geometrismo a fragmentos de paisagens. Em outra obra, os traços remetem ao brotar de uma vida, de uma existência. As telas ocupam toda a galeria, mas um dos grandes destaques é o painel gigante instalado ao fundo da sala. — Como também sou artista, isso é um processo artístico para mim. Neste caso, de parceria. Trago o artista para tentar levantar as suas potências no espaço expositivo — afirma César Oiticica Filho, diretor artístico do centro cultural e curador da mostra. Os trabalhos são como uma colcha de experimentos. Parisot testa as cores, que se revelam de forma vibrante. — Além da origem, também somos feitos de memória. E a memória é vivência. De repente, você está em outro momento da sua vida e entende o que passou de uma outra maneira, porque amadureceu ou porque compreendeu algo que antes não entendia — conta ela. Serviço “E eu me levanto e conto uma história” Onde: Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica. Rua Luís de Camões, 68. Centro, Rio de Janeiro. Visitação: segunda a sábado, das 10h às 18h. Até 27 de julho de 2026. Quanto: grátis. ——— Nota da defesa de Eduardo Haber na íntegra: A defesa de Eduardo Haber informa que ele e sua família vêm sofrendo há mais de 10 anos com atos já classificados pela justiça Argentina, onde Paula Parisot reside, como tentativa de estelionato. Ela, inclusive, fez acordo com o Ministério Público daquele país para evitar responsabilização criminal e não pode sair da Argentina sem autorização. Parisot cumpre medidas determinadas pela justiça local. Além disso, ela foi denunciada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo por usar documentos falsos para conseguir que a Justiça brasileira autorizasse pagamentos em seu favor e em prejuízo da Sra. Myriam Haber, recentemente falecida aos 84 anos. Importante destacar que Eduardo Haber nunca reivindicou nada. O cuidado com o patrimônio de seus sobrinhos é resultado de declaração de vontade feita em testamento por seu irmão Richard, que era o maior interessado em preservar o patrimônio de seus próprios filhos.