Pintor, escultor e escritor inaugurou em maio instalação noTribunal Penal Internacional, em Haia, e espera ter versão no Brasil: 'Acredito que uma obra cujo tema central é a paz encontra naturalmente seu caminho' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vista da individual 'Você em tudo', na galeria Aura, em São Paulo — Foto: Divulgação/Flavio Freire RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A exposição "Você em tudo" homenageia a falecida esposa do artista, a bailarina Soledad. A curadoria de Paula Borghi destaca a influência da dança em suas esculturas. Após carreira no setor de telecomunicações, Vivo consolidou sua prática artística há oito anos. O renomado escultor Pablo Atchugarry foi fundamental em sua transição para a tridimensionalidade. O artista inaugurou recentemente o "Totem da Tribo Humana" na sede do Tribunal Penal Internacional. A escultura sintetiza visualmente suas reflexões literárias sobre a promoção da paz mundial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Primeira individual de Roberto Vivo no Brasil, "Você em tudo", em cartaz na Aura Galeria, em São Paulo, até o dia 25, estreita a relação do uruguaio com o país, no qual diz sentir-se em casa. Vivendo e trabalhando entre Punta del Este (Uruguai), Lombardia (Itália) e Miami (EUA), o também empresário conheceu a galeria na feira Arpa, na capital paulista, no ano passado, quando surgiu a possibilidade de representá-lo localmente e organizar sua primeira mostra por aqui. A mostra reúne esculturas e pinturas que contam um pouco da história de Vivo — cujo sobrenome português foi herdado do bisavô — e de sua prática artística consolidada há oito anos, após construir carreira empresarial no setor de telecomunicações. Cerca de um ano depois de dedicar-se à pintura, o artista perdeu sua mulher, a bailarina Soledad García Lagos, aos 64 anos, o que o levou a criar uma série de cinco pinturas intitulada YAE, sigla para "You are everywhere", expressão que dá título à exposição. A mostra também marca o primeiro trabalho de Vivo com a curadora brasileira Paula Borghi, responsável por identificar um eixo que, segundo o artista, atravessava sua produção de forma inconsciente. — Paula percebeu que o movimento presente nas esculturas vem da dança. Eu nunca havia pensado dessa forma, mas faz sentido. Minha obra fala da vida e do amor, e Soledad está presente nisso tudo — observa Vivo.— Crio séries de figuras orgânicas e abstratas, e, quando trabalho com mármore, tento superar sua rigidez dando-lhe movimento e desafiando os limites da resistência do material. O movimento das obras vem da dança, essa inspiração veio dela. Da prática inicial da pintura, Vivo buscou a tridimensionalidade primeiro a partir de papelão recortado, passando depois ao aço corten, mármore e bronze. Atualmente, o processo tem início com desenhos à mão, sempre a lápis no papel vegetal, antes de partir para modelagem digital em 3D e a execução junto a colaboradores especializados, num processo que pode chegar a um ano por trabalho. O novo suporte foi explorado a partir da amizade com uma referência da abstração escultórica uruguaia, Pablo Atchugarry. — Pablo Atchugarry me ajudou a descobrir meu caminho como escultor. Tenho uma casa em Punta del Este há cerca de 40 anos. Quando Pablo começou a passar mais tempo por lá, costumava visitar a sua fundação, mas nunca entrava em seu ateliê. Achava que seria uma invasão da privacidade de um artista tão importante. Mas, um dia em que estava acompanhado de uma amiga que trabalhava na Gagosian (galeria de Nova York), acabei o encontrando em seu ateliê. Ele me recebeu com enorme generosidade, passamos horas conversando. Em poucas semanas, nos tornamos grandes amigos — destaca Vivo. Obras da mostra 'Você em tudo', na galeria Aura, em São Paulo — Foto: Divulgação/Flavio Freire Por sugestão de Atchugarry, Vivo criou a instalação "Capela do Sol", composta por cerca de 4 toneladas de aço corten junto a um espelho d'água, para o MACA (Museo de Arte Contemporáneo Atchugarry), localizado em Manantiales, próximo a Punta del Este. — Havia criado um recorte em uma chapa plana de aço corten que instalei em casa para ver o movimento do Sol e a luz atravessando aqueles vazios. Um dia Pablo viu e sugeriu uma versão maior para o museu. Quando disse que não era uma escultura, ele me provocou: "Se você quer fazer uma escultura, traga um projeto tridimensional" — recorda o artista. — Queria criar um espaço que fosse, ao mesmo tempo, uma homenagem ao Sol e a Soledad, cujo próprio nome remete ao astro, à luz. Foi uma obra extremamente complexa, tanto do ponto de vista escultórico quanto arquitetônico, para dobrar as grandes chapas de aço em duas direções foi preciso recorrer à maior indústria metalúrgica do Uruguai. Quando levei o projeto a Pablo, ele sorriu e disse: "Agora sim. Isto é uma escultura." O artista Roberto Vivo — Foto: Divulgação Em maio deste ano, Vivo inaugurou a instalação "O Totem da Tribo Humana" na sede do Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, na Holanda: oada pelo governo uruguaio, a obra passou a integrar permanentemente a coleção pública do Tribunal. A obra reflete outro ideal que o artista persegue também por meio da escrita, a busca de uma cultura de paz entre os homens, inspiração para livros como "A guerra, um crime contra a Humanidade" (2015) e "Paz, justiça e o crime supremo" (2024). — Há 20 anos comprei um ateliê em Buenos Aires, mas, justamente naquele momento, surgiu outra inquietação: escrever um livro sobre a paz. Achei que levaria um ano, mas o projeto acabou consumindo sete anos da minha vida, em duas publicações. Mais tarde, em Haia, conheci Benjamin Ferencz, o último promotor vivo dos Julgamentos de Nuremberg, e passei quatro anos o acompanhando em conferências e universidades americanas. Assim, percebi que havia dedicado cerca de 15 anos a refletir e a promover a ideia da paz, quando imaginava que estaria pintando — comenta o artista. — Quanto mais estudava os conflitos internacionais, mais frustrado ficava, sentindo que dificilmente o comportamento moral dos líderes que continuam recorrendo à guerra mudaria. Aí abandonei a escrita e me dediquei definitivamente à arte, mas aquela reflexão já havia entrado na minha produção. Quando terminei o "Totem", compreendi que ele era a síntese visual dos livros. O artista pretende desenvolver nove exemplares da obra em bronze para ser instalada em diferentes países — Montevidéu deverá receber em breve uma versão menor que a de Haia, com cerca de dois metros de altura. Outro espaço em que sonha ver a sua obra é Inhotim, museu a céu aberto em Brumadinho (MG), que conheceu há dois anos. — Visitei Inhotim três vezes, fiquei profundamente impressionado com o lugar. É um espaço extraordinário, onde arte e natureza convivem de forma absolutamente única. Apresentamos formalmente o projeto de uma versão de aproximadamente dez metros de altura do "Totem", agora depende da avaliação dos curadores e do conselho da instituição. Sei que esses processos levam tempo, mas tenho esperança. Acredito que uma obra cujo tema central é a paz encontra naturalmente seu caminho — torce Vivo.
Com primeira mostra individual em cartaz em SP, uruguaio Roberto Vivo sonha com obra pela paz em Inhotim
Pintor, escultor e escritor inaugurou em maio instalação noTribunal Penal Internacional, em Haia, e espera ter versão no Brasil: 'Acredito que uma obra cujo tema central é a paz encontra naturalmente seu caminho'






