PUBLICIDADE Espaço recém-inaugurado é filial de galeria que começou em Portugal e reune elenco de artistas de lugares como Coreia do Sul e Mali 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pedro Nazar abriu filial da galeria Femaluma no Jardim Botânico, no Rio — Foto: Guito Moreto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O carioca Pedro Nazar, de 38 anos, trocou a área da saúde pelo mercado de arte. Ele acaba de inaugurar no Jardim Botânico uma filial da galeria portuguesa Femaluma. O novo espaço carioca apresenta um acervo global. A galeria representa criadores de diversos países, incluindo nomes do Brasil, Mali e Coreia do Sul. Embora tenha crescido visitando museus europeus sem interesse, Nazar desenvolveu a paixão tardiamente. Hoje, ele admite que ainda está aprendendo a negociar suas obras. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Foi meio por acaso que Pedro Nazar acabou se aproximando da arte. O carioca, de 38 anos, que acaba de inaugurar a filial da Femaluma — galeria com sede em Portugal — no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, vem de uma família de médicos e ele mesmo trabalhou na área da saúde, com reestruturação de empresas do setor, além de ter se dedicado a uma graduação em Psicologia, sem se formar. Seu pai, José, antes de se formar em Medicina, só tinha algum vínculo com o meio da arte porque o primeiro emprego foi limpando um ateliê em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Décadas depois, já com melhores condições financeiras, iam todos para Paris, onde frequentavam museus, mas o garoto achava aquilo… um tédio. Especialmente o Louvre e o Museu d’Orsay. Pedro, claro, considera essas instituições importantes, mas, como era uma criança, não achava tão atrativas, ele explica. Hoje acha que talvez preferisse algo mais lúdico ou interativo. — Todos os anos que nós íamos a Paris, era aquela coisa de museu, museu, museu. Quando criança, obviamente, não gostava. Achava um tédio mesmo. Meus pais falavam de Paris e eu não aguentava mais (risos). Depois fui passando a gostar — conta ele. Espaço da galeria Femaluma no Jardim Botânico, recém-aberta no Rio — Foto: Guito Moreto A coleção do pai Claro que o gosto que Pedro foi criando pela arte se deve também ao ambiente familiar: aos poucos, a casa foi se enchendo de obras adquiridas pelo pai. Mas esse novo momento teve influência também de amigos como Conrado Mesquita, sócio da paulistana Galatea. Foi assim que ele começou a frequentar feiras, leilões, galerias e ateliês de artistas. Conrado incentivou Pedro a abrir o próprio espaço — decisão que ele só veio em 2024, já morando na cidade portuguesa de Cascais com a mulher, Carolina, e os filhos. — De início, Pedro não me ouviu e seguiu a carreira por outro lado da vida. Mas acredito que a ideia de ter uma galeria própria ficou no inconsciente dele — lembra Conrado. Pedro, por sua vez, confirma o real interesse: — A arte é uma espécie de droga. Você fica entorpecido por aquilo depois que entra. Então fui ficando e ficando. Comecei a criar dentro de mim esse sonho de trabalhar com arte algum dia. Pedro Nazar abriu filial da galeria Femaluma no Jardim Botânico, no Rio — Foto: Guito Moreto Quem tem razão? Atualmente, a Femaluma representa artistas de diferentes países, sem se concentrar em arte brasileira ou portuguesa. Susana Queiroga, Marcelo Lamarca e Frida Baranek são do Brasil, enquanto Seon Ghi Bahk é da Coreia do Sul e Famakan Magassa, do Mali. O entusiasmo para trabalhar com esse universo foi grande, mas, de início, o galerista ainda precisou convencer a mulher de que uma galeria era um bom caminho a seguir. — Não conseguia enxergar a galeria como um negócio. Achava que as pessoas compravam arte por hobby ou até vaidade — diz Carolina. — Em poucos meses, eu vi que ele tinha mesmo razão e, geralmente, sou eu quem tem razão. Espaço da galeria Femaluma no Jardim Botânico, recém-aberta no Rio — Foto: Guito Moreto Um problema, entretanto, já identificado por Pedro é sua dificuldade com as vendas. É um galerista que diz estar “evoluindo e aprendendo” na arte de negociar. — Não sou bom vendedor. Quero que o cliente faça bom negócio, que esteja feliz e me procure amanhã de novo. Estou sempre pensando muito no cliente — pondera. Diretor da Femaluma no Rio, Cezar Maia diz que, ao ser chamado para a galeria, viu ali a chance de deixar de lado uma visão materialista da arte e adotar uma “mais sensível, de conexão com as pessoas”. — Pedro vive o que faz, transmite toda uma energia quando fala sobre arte. Conheci poucas pessoas com essa intensidade quando se fala de obra de arte.