Feira foi inaugurada para convidados nesta quarta-feira (27) na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, onde segue aberta ao público até domingo (31) Maior parte dos estandes do Setor Principal apresenta solos ou duos, sem hierarquia entre mercado primário e secundário — Foto: Divulgação/Gui Caielli RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A feira reúne 54 galerias nacionais e internacionais no Pacaembu. O evento prioriza estandes com poucos artistas para permitir exibições mais profundas e conceituais. Galerias estrangeiras buscam espaço no mercado brasileiro através de setores especializados. A mostra promove a inserção de produções caribenhas e argentinas no circuito nacional. O Setor Base destaca o diálogo entre criadores consagrados e novos talentos. Encontros como o de Anna Bella Geiger e Ana Hortides debatem diferentes visões de paisagem. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em sua quinta edição, a ArPa (sigla para Arte Participativa) se consolida como um modelo de feira com espaços curados e um número reduzido de artistas mostrados por estande, como diferencial em relação a outros eventos do setor. Inaugurada nesta quarta-feira (27) para convidados na Mercado Livre Arena Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo, a feira segue aberta ao público até domingo, reunindo 54 galerias brasileiras e internacionais, além de expositores institucionais e editoriais. No Setor Principal, os espaços apresentam, em sua maioria, solos ou duos, entre artistas históricos e contemporâneos, a exemplo da Pinakotheke (Farnese de Andrade), Movimento (Viviane Teixeira), Fortes D’Aloia & Gabriel (Rodrigo Matheus), DAN (Dionísio del Santo), Raquel Arnaud (Felipe Pantone e Wolfram Ullrich), OMA (Eduardo Freitas e Luiz Pasqualini). A partir do convite da diretoria da feira, os galeristas apresentam projetos para os estandes para o comitê de conteúdo, formado por profissionais do setor. A demanda por um evento onde a curadoria fosse o diferencial veio de entidades do segmento, a Abact (Associação Brasileira de Arte Contemporânea) e a Agab (Associação de Galerias de Arte do Brasil) e, nesse período, os expositores foram encampando a proposta de mostrar menos artistas, mas com mais profundidade. — Houve uma resistência inicial. Muitos galeristas queriam continuar fazendo o que já estavam acostumados em outras feiras, e passaram a acreditar quando viram que dava certo. Hoje, eles não só aceitaram a ideia como se engajaram totalmente, já pensam no artista que vão expôr no ano seguinte — conta Camilla Barella, fundadora e diretora da ArPa. — Obviamente, é uma feira de negócios, onde as vendas são importantes. Mas mostramos que dá para fazer isso num espaço pensado menos como varejo, apresentando trabalhos de forma aprofundada. É importante ter essa variedade de modelos de feira, são projetos complementares. Outra característica é a opção por não separar galerias de mercado primário (com trabalhos negociados pela primeira vez, de artistas representados) do secundário (de revenda de obras). — Você pode acabar de ver uma produção de um artista jovem e ir para uma seleção como a Pinakotheke fez do Farnese de Andrade, que poderia estar exposta num museu. E perceber como essas conexões atravessam épocas, gerações — avalia Cristina Candeloro, diretora de relacionamento institucional da ArPa. — E esses diálogos podem ser feitos também no mesmo estande, como a Danielian fez com a Ottavia Delfanti, uma artista super jovem, e um nome histórico como o Frans Krajcberg. São provocações intelectualmente estimulantes para o galerista e instigantes para o público. Visão geral do Setor Principal da ArPa — Foto: Divulgação/Gui Caielli Os artistas também tomam partido da possibilidade de ocupar um estande com um solo, a exemplo de André Griffo, que apresenta na Nara Roesler uma seleção de telas abstratas da série “O sonho de Constantino”, iniciada em 2024 e inspirada por afrescos de Piero della Francesca na Catedral de Arezzo. — Quando preenchia partes dos trabalhos figurativos, imaginava cada pedaço daqueles como pequenas áreas abstratas. Tinha essa vontade de me aproximar mais dos abstratos, ter essa liberdade — explica Griffo. — A possibilidade de ocupar o estande com telas maiores cria uma sensação de que formam uma só paisagem, algo que também me interessa. Já a gaúcha Bolsa de Arte, que reabre sua sede em Porto Alegre em 13 de junho, trouxe uma seleção de obras recentes de Bruno Novelli, em sua segunda participação na feira. — São trabalhos dos últimos três anos, acredito que 90% deles não tenham sido mostrados em São Paulo. Mesmo sendo um recorte recente, aponta para espectros diferentes da minha produção — acredita o artista. Diálogos latinos A feira também é vista como uma chance de abertura do mercado brasileiro à arte latino-americana. É o caso da Coral Gallery, baseada em Miami, que volta à ArPa após a estreia no ano passado mostrando dois artistas argentinos, Chiara Baccanelli e Lucas Pertile. — O mercado brasileiro é um dos mais difíceis (de entrar), bem doméstico. Mas, aos poucos, as coleções estão se abrindo a artistas de outras regiões. Viemos timidamente no ano passado, mas decidimos voltar a partir da boa repercussão que tivemos — comenta Isabel Tassara, diretora da galeria. Agência O Globo — Foto: Divulgação/Gui Caielli No Setor Uni, com 14 solos selecionados por Ana Sokoloff, curadora colombiana radicada em Nova York, a galeria porto-riquenha PerezPuig fez sua estreia na feira com um conjunto de trabalhos de Kiván Quiñones Beltrán. — Faço um diálogo com o surrealismo, o subconsciente. Porto Rico tem uma identidade muito fragmentada, e, de certa maneira, minhas obras reúnem esses fragmentos em uma só composição — comenta Beltrán, em sua primeira viagem ao Brasil. — Ao mesmo tempo em que os trabalhos falam de questões mais distantes, do Caribe, percebo uma conexão grande com a cena de Porto Rico e Brasil. A simbologia, a afrodescendência, acho que há muito em comum com as práticas contemporâneas brasileiras. Nelson Gobbi viajou a convite da ArPa
Quinta edição da ArPa consolida modelo curatorial para expositores e abre portas para galerias latinas no país
Feira foi inaugurada para convidados nesta quarta-feira (27) na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, onde segue aberta ao público até domingo (31)










