O caso Master colocou o Supremo Tribunal Federal diante de uma crise diferente das que enfrentou nos últimos anos. Durante o governo Bolsonaro, a pergunta central era se a Corte teria independência e força para resistir a um presidente que atacava eleições, ministros e instituições.

Agora, a pergunta é outra e mais difícil: o STF é capaz de submeter seus próprios integrantes a escrutínio sem transformar investigação em perseguição, nem devido processo em proteção corporativa?

As revelações dos últimos dias tornam impossível responder olhando apenas para Alexandre de Moraes. O relatório da Polícia Federal produzido a partir do celular de Daniel Vorcaro descreve uma relação mais próxima entre o banqueiro e o ministro do que se conhecia publicamente.

No entanto, é preciso cautela: parte das mensagens contém apenas o que Vorcaro escreveu, sem as respostas do magistrado, e o material divulgado não demonstra, por si só, que seus pedidos tenham sido atendidos.

Tudo isso precisa ser apurado. Só que a própria apuração acrescentou um segundo problema. André Mendonça, relator do caso, determinou diligências para identificar interlocutores citados no material e retirou o sigilo do relatório. A Procuradoria Geral da República sustenta que ele ultrapassou suas atribuições ao avançar, sem autorização do plenário do STF, sobre fatos que alcançaram outro integrante da Corte.