Na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição (PT), o presidente Lula defendeu novos investimentos na Defesa e chamou atenção para a proteção de reservas de terras raras e minerais críticos, hoje disputadas por China e Estados Unidos. Já o candidato Flávio Bolsonaro (PL) defendeu que as Forças Armadas recebam financiamento condizente com o papel do Brasil e voltado ao enfrentamento de desafios globais.

O cenário lá fora impressiona. A Casa Branca propõe elevar no próximo ano o orçamento de defesa em 40%, para nível não visto desde a Segunda Guerra Mundial. Na Europa, o aumento de investimento já saltou para a casa dos dois dígitos. A China tem mantido no setor militar ritmo de incremento superior ao de seu PIB.Não se trata aqui de defender que o Brasil se aventure numa corrida armamentista. O que o país pode e deve entregar, porém, é previsibilidade. Programas de longo prazo, como o desenvolvimento de aeronaves, sistemas navais e capacidades cibernéticas, só avançam quando há continuidade de investimento. Do lado do Congresso Nacional, há um esforço para avançar em mecanismos que ampliem o espaço fiscal. O que acontecerá em 2027, entretanto, ainda carrega enorme parcela de incógnita.