Eleições 2026

Os minerais estratégicos e os energéticos latino-americanos estão na mira dos Estados Unidos, e as eleições brasileiras são o novo capítulo desta campanha orquestrada pela Casa Branca. Trump tem pressa, pois em 1º de janeiro de 2027 vence o prazo fixado pela Ordem Executiva n. 14415, e a partir daquela data a indústria de defesa norte-americana ficará proibida de comprar terras raras, ímãs, tungstênio, molibdênio e tântalo da China, da Rússia, do Irã e da Coreia do Norte, e cada exceção passará a exigir a prova de um “esforço exaustivo” de busca por fornecedor alternativo. O problema é que esse fornecedor atualmente não existe. Em 2025, os Estados Unidos consumiram 48 mil toneladas de ímãs de terras raras e produziram apenas 300; a capacidade projetada para o fim de 2026 não passa de 5 mil toneladas; e a China segue controlando mais de 80% do refino mundial desses minerais. É justamente essa fragilidade dos EUA que move a ofensiva sobre a América Latina.

O atraso no alcance das metas tem como motivo fundamental o abandono, de 1980 em diante, das capacidades internas de produção e processamento de minerais estratégicos, tais como terras raras, lítio, entre outros, por parte do governo e empresas norte-americanas, que em paralelo passavam a depender das cadeias globais de fornecimento, progressivamente dominadas pela China. A fé do imperialismo norte-americano em sua capacidade tecnológica e financeira embaçou a visão do establishment no setor mineral, considerado como menos estratégico em relação às tecnologias digitais.