A relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto), que segundo dados do Banco Central alcançou 82,5% em julho, é um sintoma do desarranjo fiscal do país e serve como um sinal de alerta para que o próximo presidente da República corrija a rota das contas públicas a partir de 2027, avaliam economistas.
Apesar disso, ressaltam, nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos à frente nas pesquisas das eleições presidenciais, apresentaram ainda um plano detalhado para a contenção de gastos no próximo governo.
Para o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, o nível crescente de endividamento, o maior em cinco anos, reflete as incertezas quanto ao futuro da política fiscal. Impulsionada pelos juros altos e pelo aumento dos gastos, a dívida bruta ante o PIB subiu 0,6 ponto percentual em comparação com junho.
"O dado é um sinal de alerta para o governo e o Congresso. Passadas as eleições, será preciso apresentar um plano de ajuste fiscal coeso, que preserve as políticas públicas e o seu financiamento, mas corrija distorções e permita ao gasto crescer menos do que o PIB", afirma o especialista em contas públicas.
Na avaliação de Salto, não é necessário um ajuste radical e imediato. "Aliás, nem é viável politicamente. O essencial é ter um plano aprovado no Congresso com o condão de reorientar as expectativas, reduzir o risco e, assim, o custo do endividamento."









