“Aparentemente, é um ex-candidato agora falando. É um momento muito bizarro da democracia brasileira”, disse Renan no início da coletiva. Durante a entrevista, o advogado Arthur Rollo, especialista em direito eleitoral e representante da campanha, também afirmou que a defesa vai apresentar ainda nesta segunda-feira um mandado de segurança ao TSE contra as decisões de Toffoli. Segundo ele, será pedida uma liminar ao presidente da Corte, ministro Nunes Marques, para suspender as restrições. Renan Santos em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (31). — Foto: Reprodução O candidato destacou que a decisão ocorreu exatamente dez anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 31 de agosto de 2016. Renan relembrou sua participação nas manifestações pelo afastamento da então presidente e afirmou que não imaginava que, uma década depois, estaria diante da possibilidade de ser retirado de uma disputa presidencial. “[A decisão é] do Dias Toffoli, ministro do STF, que está hoje no TSE e que foi nomeado pelo mesmo grupo político que, há dez anos, eu afastei do poder no Brasil. A história, alguns dizem que é cíclica, mas a história é a história”, disse. O candidato afirmou ainda que o episódio demonstra, em sua avaliação, uma escalada autoritária no Judiciário. “Hoje é um momento histórico também para demonstração dessa inflexão autoritária que existe nos tribunais”, afirmou. Segundo Renan, não há justificativa jurídica ou política para a medida. “Não dá para justificar de maneira racional e razoável, nem do ponto de vista jurídico, nem do ponto de vista político, a decisão do ministro Dias Toffoli. Não há meios de fazer isso.” Renan agradeceu ainda as manifestações contrárias à decisão, inclusive de adversários na corrida presidencial. “Agradeço todas as manifestações democráticas dos veículos de imprensa, de juristas e dos meus concorrentes à Presidência da República, que demonstraram seu repúdio a essa decisão monocrática absurda.” Renan contestou os argumentos que, segundo ele, embasaram a decisão de Toffoli: problemas no cadastro de suas redes sociais e uma suposta vantagem obtida pela recomendação de seus perfis nas plataformas. Renan argumentou ainda que mecanismos de recomendação semelhantes aparecem em perfis ligados a outros candidatos e grupos políticos e afirmou que isso não deveria servir de fundamento para retirar candidaturas da disputa. “Curiosamente, quando eu abro o perfil do senhor Jair Messias Bolsonaro, as mesmas recomendações, e vocês podem checar, são para o candidato Nikolas Ferreira, para o candidato Flávio Bolsonaro e para a candidata Michelle Bolsonaro", disse ao mostrar imagens das recomendações em perfis de redes sociais. "Eu não estou aqui, de maneira alguma, falando que eles deveriam ter suas candidaturas cassadas, nem os demais que eu citei, porque esse caso é apenas absurdo. Quando eu abro o perfil do senhor Guilherme Boulos, hoje ministro do governo Lula, está sendo recomendado o perfil do próprio Lula, Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e da própria Natália Boulos. Usando esses mesmos critérios absurdos, Natália e os demais deveriam perder a sua? É claro que não. É óbvio que não”, afirmou. Recurso no TSE A defesa de Renan Santos afirmou ainda que vai entrar nesta segunda-feira com um mandado se segurança, com pedido de liminar contra a decisão de Toffoli, para ser analisado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Nunes Marques. Segundo o advogado Arthur Rollo, o que mais nos surpreendeu a campanha foi a proibição de participação em debates e sabatinas. "Se é um problema de rede social, por que impedir a participação em debates e sabatinas? Isso inviabiliza completamente a campanha do candidato. Se coloca um empecilho na campanha que é irreversível. Dois, três dias sem campanha eleitoral, no caso de um candidato que não tem dinheiro e não tem tempo de televisão, é absolutamente irreversível", disse Rollo.
Renan Santos: decisão de Toffoli é 'inflexão autoritária' no TSE | G1
O candidato Renan Santos afirmou que a decisão de Dias Toffoli no TSE é uma medida monocrática absurda e representa uma escalada autoritária no Judiciário brasileiro.










