Li "Movimento Sober Curious", de Ruby Warrington, do lugar pouco charmoso de quem é alcoólatra. Não sou uma pessoa apenas curiosa sobre a sobriedade. Para mim, ficar sem beber não é uma experiência temporária, um desafio de 30 dias nem uma oportunidade de alcançar mais produtividade, beleza ou clareza mental. É uma questão de sobrevivência.

O livro propõe que o leitor examine sua relação com o álcool e perceba que não é necessário chegar ao fundo do poço para questionar o hábito de beber.

A ideia tem méritos evidentes. Vivemos em uma sociedade na qual o álcool acompanha comemorações, encontros amorosos, reuniões profissionais, frustrações e até práticas de autocuidado.

Recusar uma taça ainda exige explicações. Nesse sentido, Warrington acerta ao confrontar a normalização da bebida e ao lembrar que ninguém precisa receber um diagnóstico para decidir parar.

O problema começa quando a sobriedade é apresentada com a linguagem sedutora das tendências de bem-estar. Em "Movimento Sober Curious", abandonar o álcool parece, por vezes, integrar o mesmo universo das dietas da moda, dos retiros espirituais e das rotinas matinais cuidadosamente fotografadas.