Ninguém vai aos Alcoólicos Anônimos a passeio. Ou está com sérios problemas com a bebida, ou quer tentar ajudar alguém que enfrenta questões relacionadas ao álcool.

A primeira vez que fui, um médico me indicou. Isso aconteceu uns sete anos antes de eu entrar no buraco. Nesse primeiro contato com o programa, eu dizia que estava ali por causa do meu pai. O que, de certa forma, não era mentira.

Os depoimentos foram trazendo uma identificação grande com as questões do meu pai e com as minhas. Mas eu ainda não tinha chegado ao fundo do poço. Tinha certeza de que o programa não era para mim. O tempo foi passando e eu fui piorando. O médico que tinha me indicado já não fazia mais consultas comigo. Mesmo assim, não fui lá bater na porta sozinha. Tive que ser internada e receber membros do programa, já em recuperação, que me convidaram a participar.

Não via mais luz no fim do túnel, então fui. No começo, o medo era grande, mas aos poucos os colegas foram me ajudando a acalmar. Hoje, sinto que nunca mais quero colocar um gole de bebida na boca. Os mais velhos no programa vão me ajudando a acreditar que tudo vai melhorar. E é verdade. Fica tudo muito mais claro.

Como disse aqui, em uma coluna recente, sofri um pouco por amor. É nessas horas que o bicho pega. Dá uma estremecida. Parece que o chão se abre. Mas aguentei firme porque consegui. Um grande amigo meu, porém, não conseguiu, e isso não tem nada a ver com o AA, mas com as artimanhas da doença.