Presidente assume riscos ao falar sobre caso Lulinha, em entrevista à TV Globo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista à Globo — Foto: Globo/Manoella Mello Não dava para esperar que Luiz Inácio Lula da Silva se comportasse na entrevista à TV Globo como Renan Santos (Missão), que emenda uma história noutra sem responder o que se pergunta fazendo parecer que o fez. Tinha as realizações de seu governo para mudar a pauta, mas, a esta altura, a retórica do presidente não poderia dar uma cambalhota. Lula tomou dois riscos: dizer que não conhecia Roberta Luchsinger, amiga do filho há muitos anos, e comparar a cobertura sobre o envolvimento de Fábio Luís da Silva e de Marco Aurélio Ribeiro, seu ex-chefe de gabinete, com a lobista àquela sobre si durante a Operação Lava-Jato. Se sabe o que fez ou deixou de fazer, não pode dizer o mesmo sobre ambos. Foi melhor na economia, ao repudiar descompromisso com a pauta fiscal, do que na pauta da corrupção, ainda que tenha sido desnecessário ensinar à Renata Vasconcellos como formular a pergunta sobre a questão fiscal. Foi melhor na educação, ao se comprometer com uma revolução tecnológica, do que na segurança. Relembrou a atribuição dos Estados no tema, mas acabou sendo confrontado com o mau desempenho da Bahia, governado pelo seu partido há 20 anos. Perdeu oportunidade de usar o minuto final para propagandear a promessa de futuro contida na PEC do fim da escala 6x1, cujo compromisso de votação foi sua principal vitória da semana. Em 2022, a defesa da democracia deu a música de fundo de sua volta ao poder. A tentativa de reeleição tem acordes dissonantes e Lula, nesta sabatina da TV Globo, ainda não mostrou a cadência.