Governistas avaliam que explicações públicas de ex-chefe de gabinete pode reduzir efeitos, enquanto inquéritos envolvendo filho do presidente ainda tem questões em aberto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Lula em evento no Palácio do Itamaraty — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que as investigações que miram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, têm potencial de desgaste maior para a campanha petista do que o repasse feito pela empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Governistas avaliam que o posicionamento do ex-assessor, que informou que o valor recebido de Luchsinger foi de R$ 249 mil e disse ter colocado seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça, pode minimizar os danos, enquanto o caso de Lulinha tem uma série de explicações em aberto. Integrantes do governo reconhecem que Marcola é homem de confiança de Lula — ele foi chefe de gabinete entre janeiro de 2023 e 21 de julho deste ano, quando foi deslocado para trabalhar na campanha. Ainda assim, avaliam que Lulinha carrega maior potencial de desgaste junto à opinião pública por ser filho do presidente. Pesa também o fato de as apurações relacionarem Lulinha a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela Polícia Federal como um dos operadores centrais do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões e preso desde setembro de 2025. Lulinha já responde a três inquéritos autorizados pelo STF, todos por suspeita de tráfico de influência. Os dois primeiros, sob relatoria do ministro André Mendonça, apuram se ele atuou para intermediar interesses no Ministério da Saúde — em negociações ligadas à autorização para comercialização de cannabis medicinal — e junto à Dataprev, em suposta articulação com um empresário de tecnologia, o próprio Careca do INSS e Roberta Luchsinger. Nesta terça-feira, o ministro Flávio Dino autorizou a abertura de um terceiro inquérito, para investigar se Lulinha usou o nome do pai para favorecer negócios com o governo federal. Lula tem afirmado que as investigações devem seguir seu curso "doa a quem doer": — Se for culpado vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra — afirmou o presidente em entrevista na quinta-feira. Já no episódio de Marcola, o ex-chefe de gabinete confirmou ter recebido os R$ 249 mil de Roberta Luchsinger na forma de um empréstimo pessoal que, segundo ele, já foi integralmente devolvido. Em nota, ele negou irregularidades e disse que os sigilos bancário e fiscal estão “integralmente à disposição da Justiça”. A expectativa entre aliados de Lula e na campanha petista é que Marcola continue detalhando publicamente a negociação. De acordo com o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, ele disse a interlocutores que a transação está registrada em contrato. O caso gerou constrangimento no Palácio do Planalto e irritação entre integrantes do governo e da campanha, pela percepção de que será explorado pela oposição no momento em que Lula não tem margem confortável de distância nas pesquisas em relação a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário. Levantamento da Quaest divulgado nesta quarta mostra o petista com 44% das intenções de voto no segundo turno, contra 39% do candidato do PL, Flávio Bolsonaro. O cenário representa uma oscilação positiva para Flávio, que, na sondagem anterior, perdia por 45% a 37%, embora os dados variem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais Aos 40 anos, Marcola é um dos auxiliares mais jovens de Lula e mantém, há uma década, relação de proximidade com o presidente, com acesso a momentos privados e trânsito nos hábitos do petista. Apesar da proximidade, é figura menos conhecida do público do que o filho mais velho do presidente. Aliados também temem o risco político de novos desdobramentos dos inquéritos da PF contra Lulinha ao longo da campanha eleitoral, e o uso que Flávio Bolsonaro possa fazer de eventuais revelações para desgastar a imagem do presidente. Lulinha vive na Espanha com a família desde o início das investigações sobre as fraudes do INSS e nega qualquer participação no escândalo. A defesa informou que ele poderá vir ao Brasil prestar depoimento à Polícia Federal, caso seja necessário.
Aliados de Lula veem desgaste na campanha com investigações sobre Lulinha e tentam reduzir danos de caso Marcola
Governistas avaliam que explicações públicas de ex-chefe de gabinete pode reduzir efeitos, enquanto inquéritos envolvendo filho do presidente ainda tem questões em aberto














