Presidente, que concorre à reeleição, faltou ao debate da Band e concedeu entrevista à Record no mesmo horário 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Lula — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter um bom diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas disse que os assessores de Trump tomam atitudes “impensáveis”. A declaração foi dada em entrevista à TV Record, nesta noite (23), no mesmo horário do debate da Band, o primeiro entre os candidatos à Presidência, que ele não quis comparecer. “A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil”, declarou. Lula comentou, ainda, a ligação telefônica entre os dois líderes. O presidente brasileiro ligou para Trump na sexta-feira (21) – a primeira vez que os dois conversaram após a aplicação da tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, anunciada em 15 de julho. No telefonema, Lula reforçou críticas ao tarifaço e disse que as alegações do governo americano "que basearam a medida [desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado] são infundadas". “Já deu fruto [a ligação], e eu espero que seja um fruto bem saboroso, gostoso, porque eu quero manter uma relação muito civilizada com os Estados Unidos. Além de os Estados Unidos serem tecnologicamente importantes, economicamente importantes, militarmente importantes, nós temos 203 anos de relação democrática. Somos as duas maiores democracias do hemisfério. Então, nós temos que passar bons exemplos. E eu ainda disse ao Trump: ‘Nós somos dois homens de 80 anos de idade. Nós precisamos dar bom exemplo ao resto do mundo’”, comentou Lula. De acordo com o petista, o Brasil está disposto a trabalhar junto com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. “Eu entreguei um documento, tudo escrito para ele. Estamos dispostos a trabalhar com ele na questão da exploração de terras raras. Só que, desta vez, a gente não vai ser exportador de matéria-prima. Nós queremos transformar aqui dentro para produzir celular, para produzir [carro] elétrico, para produzir chip”, declarou o presidente.