O presidente reafirmou que o Brasil só vai conceder o 'agrément' ao embaixador indicado por Trump, Daniel Perez, depois das eleições de outubro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que está tentando marcar uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado sobre quando o telefonema deve ocorrer, o petista disse que uma ligação “às vezes demora”, mas afirmou que vai conseguir agendá-la. Lula disse que pretende afirmar a Trump que os Estados Unidos não devem interferir nos assuntos internos do Brasil, especialmente nas eleições. Afirmou ainda estar tranquilo e preparado em uma eventual interferência no pleito. “Não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo nas eleições. Se se meter, vão perder. Quem vier dar palpite nas eleições vai perder. Pode vir para cá quem quiser, nós vamos derrotá-los”, disse em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs. O presidente mencionou ainda, sem citar nominalmente, que o irmão de seu principal adversário na corrida presidencial tem “falado mal do Brasil” nos Estados Unidos. O principal adversário do petista nas pesquisas é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está autoexilado no país desde o ano passado. Apesar das críticas, o presidente disse que quer conversar com Trump porque o Brasil busca manter uma boa relação com os Estados Unidos. “São 201 anos de relação diplomática. [...] A gente quer viver bem com todo mundo”, afirmou. Lula disse ainda que o governo americano estaria pressionando o Brasil a conceder “apressadamente” o agrément ao embaixador indicado por Trump, Daniel Perez. O presidente, porém, afirmou que a decisão só deverá ocorrer depois das eleições de outubro. “Porque, se o embaixador dos Estados Unidos é importante no Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá? E querem mandar faltando 45 dias para as eleições?”, indagou o petista. Fim das bets Lula também voltou a afirmar que, se depender dele, o governo acabará com as plataformas de apostas online, as chamadas “bets”. “Se depender da minha vontade pessoal, nós acabamos com as bets. Porque não é possível você saber que um homem ou uma mulher, normalmente o homem, está gastando o dinheiro do leite do filho numa aposta”, disse. “O meu objetivo final, se ninguém me mostrar uma razão social para essas bets continuarem, nós iremos acabar com elas”, acrescentou. Questionado sobre como enfrentaria a pressão do Congresso Nacional para avançar com a proibição das casas de apostas, Lula afirmou que conhece a existência do que chamou de “bancada das bets” e disse que há parlamentares ligados a empresas de apostas on-line. “Eu sei que tem a bancada das bets, mas é uma briga que nós vamos ter que fazer, porque a sociedade não pode ser desestruturada por conta de uma coisa que a gente pode controlar e as plataformas têm que contribuir conosco nisso”, declarou. Segundo Lula, o governo federal vai tratar o tema das apostas online “muito a sério”. O presidente disse ainda que os ministérios da Fazenda e da Justiça e Segurança Pública estão realizando estudos sobre o assunto. — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo