Presidente afirma que governo americano quer 'apressadamente' que Brasil conceda o agrément, mecanismo que rege as relações diplomáticas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que só vai dar o agrément para o embaixador escolhido pelos Estados Unidos para representar o país no Brasil após a eleição. O presidente Donald Trump indicou Daniel Perez, também aprovado pelo Congresso americano, para a representação diplomática em Brasília, mas o governo vem segurando o aval diante da desconfiança de uma possível atuação eleitoral. — Eles (EUA) queriam mandar duas pessoas para vir para cá se meter e estudar as urnas. Não demos visto. Querem que eu apressadamente aceite o agrément do embaixador deles, mas só depois das eleições. Se o embaixador dos EUA é importante no Brasil, por que ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá e querem mandar faltando 45 dias para eleições? — questionou Lula. Agrément é um mecanismo que rege as relações diplomáticas, previsto na Convenção de Viena, em que o país de origem solicita uma autorização confidencial do país de destino antes de anunciar o nome publicament. Lula acrescentou que está tentando conversar com Trump sobre o tarifaço e o processo eleitoral no Brasil. O país iniciou na quinta-feira o processo formal da Lei de Reciprocidade, com a notificação aos EUA. — E estou tentando falar com ele (Trump), manter contato. Quero ter conversa tête-à-tête com ele. E vou dizer: "Não se meta nos negócios do Brasil e sobretudo nas eleições. E se se meter, vão perder." — disse Lula em entrevista ao podcast Não Inviabilize. — A gente quando vai ligar para um presidente, às vezes demora um mês para marcar, combinar horário e data. Mas vai marcar. Espero ter uma boa conversa. Quero conversar porque Brasil quer ter boa relação com EUA. Lula também falou sobre sua relação pessoal com Trump e disse que ele é "o melhor do todos" entre a equipe do governo norte-americano: — Tive uma reunião com Trump, com quatro pessoas, quando terminou a reunião, falei para o meu pessoal: o Trump é o melhor de todos eles, é o que conversa mais seriamente comigo. Somos dois chefes de Estado, dois homens de 80 anos. Ele disse que se prepara como eu, fisicamente e tudo. Na quinta-feira, o governo brasileiro informou ter notificado os EUA sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país. — Entramos com Lei de Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa. Mas estou muito tranquilo. Estou preparado para debater defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta terra — disse Lula. O Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump: uma de 25%, específica para o país, e outras de 12,5%, que atinge também outras nações. As taxas se somam, embora haja exceções para determinados produtos da pauta exportadora. “O Ministério das Relações Exteriores está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas,” afirmou nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom). O processo tem como base a Lei da Reciprocidade Econômica sancionada em 2025 depois de ter sido aprovada por ampla maioria pelo Congresso Nacional. “As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, disse a nota. O Planalto reforçou que busca saídas diplomáticas para evitar a adoção das tarifas. "As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais", afirma.