0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Trump se reúnem na Casa Branca — Foto: Ricardo Stuckert / PR A conversa cordial entre os presidentes Lula e Trump por telefone é uma boa notícia e mostra que a diplomacia brasileira está trabalhando para a volta à normalidade na relação entre os países. A questão é se terá algum efeito prático, especialmente em relação ao tarifaço. Na conversa, Lula disse que as tarifas são injustas e prejudiciais tanto aos brasileiros quanto aos americanos. Para o professor Leonardo Paes Neves, analista do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional (NPII) da Fundação Getulio Vargas (FGV) e professor do Departamento de Relações Internacionais da Faculdade Ibmec, Lula tem conseguido, quando se encontra ou conversa com Trump, estabelecer um tom de cordialidade. - A conversa entre os dois sempre foi bastante amistosa, até surpreendentemente amistosa, considerando a maneira como o Trump eventualmente trata determinados líderes. A gente já viu isso com (Cyril) Ramaphosa , da África do Sul, com (Volodymyr) Zelensky, da Ucrânia. Lula fez o papel dele de tentar mostrar que as tarifas são ruins para o Brasil, mas também para os Estados Unidos. Tentou mostrar que o Brasil já está adotando uma série de ações relacionadas ao crime organizado, ao Comando Vermelho e ao PCC. E que a ideia de classificar essas organizações como terroristas é equivocada, porque não ajuda e só prejudica não só o Brasil, mas também os Estados Unidos. A notícia ruim, segundo o professor, é que, apesar da cordialidade de Trump, o presidente americano não toma decisões e delega a funcionários adequados o acompanhamento do assunto. Nesse caso, seria o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que tem uma posição ideológica forte em relação à região e vem defendendo muitos dos argumentos da família Bolsonaro sobre a situação no Brasil. - Acho que essa ligação vai ter pouco efeito prático, no final das contas, porque a gente está em um contexto de eleição e porque isso aparentemente está indo para a seara do Marco Rubio para decidir. Naturalmente, ameniza um pouco, pelo menos, o humor do Trump, na medida em que o Lula consegue estabelecer algum grau de cordialidade com ele. Mas acho que vamos ter pouco efeito prático. Para Márcio Sette Fortes, ex-diretor do Brasil no BID, não adianta apenas demonstrar repúdio às tarifas, pois são os mesmos argumentos defendidos há pouco mais de um mês na audiência pública do USTR. - E não basta seguir a linha de afirmar que o diálogo é o melhor caminho, enquanto seguíamos pela análise da viabilidade da aplicação da Lei da Reciprocidade. Para ele, é preciso ter pragmatismo negocial. Segundo Fortes, Reino Unido, Canadá e a própria China conseguiram estancar severas tarifas punitivas e melhorar o perfil de seus relacionamentos comerciais com os Estados Unidos.