0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião bilateral na Cúpula da Asean em Kuala Lumpur, na Malásia, no último domingo (26) — Foto: Ricardo Stuckert/PR A conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump, na última sexta-feira, foi muito importante. O diálogo direto entre os presidentes, a chamada diplomacia presidencial, é fundamental, e Lula a exerce muito bem. Trump é um presidente muito centralizador, com muitas decisões concentradas em suas mãos, o que torna essa conversa ainda mais importante quando se pensa em reduzir o impacto das últimas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Não se pode ter grandes expectativas com a retomada das negociações, como pontuou o ministro Márcio Elias Rosa. No retorno dos contatos em nível ministerial nesta segunda-feira, o Brasil vai tentar mitigar os danos das tarifas de 25% e de 12,5% sobre a pauta de exportações. Isso significa ampliar a lista de exceções. Ninguém, porém, tem esperança de que os Estados Unidos revoguem as taxações, disse Márcio Elias. A fala do ministro é correta: busca reduzir expectativas e avançar passo a passo. Mas o Brasil não pode deixar de lado a ambição de derrubar a tarifa de 25%, imposta com argumentos sem fundamento, como disse o presidente Lula. É o caso da alegação relacionada ao desmatamento, que teve forte redução neste governo, após o retrocesso registrado durante o governo Jair Bolsonaro. O mesmo vale para o Pix, que envolve a soberania brasileira e o direito do país de ter uma forma de pagamento mais fácil e eficiente. O presidente da CNI disse que cerca de 4 mil produtos estão atingidos pelas tarifas americanas, o que é muito ruim. O que se espera é que a negociação de agora trate dos itens um a um. O ministro Márcio Elias vai conversar virtualmente com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, responsável pela condução da política comercial americana por meio do USTR, órgão com grande poder e sem correspondente direto na estrutura do governo brasileiro. A conversa será acompanhada por representantes do Itamaraty, o que é fundamental pela expertise desses profissionais em negociações internacionais. Esse tipo de diálogo é um passo para reduzir a tensão entre Brasil e Estados Unidos, que chegou ao nível máximo com a imposição das duas novas tarifas. A conversa entre os dois presidentes colocou os negociadores novamente nos trilhos. Pesquisa mostra mais convergência do que divergência entre brasileiros na economia, apesar da polarização política O Brasil precisa saber, no entanto, o que levará à mesa de negociação. O que tem a oferecer? E há espaço para negociar. A redução da tarifa brasileira sobre o etanol americano, por exemplo, pode estar nessa conversa. O Brasil precisa avaliar essa possibilidade para que a negociação avance. Mas somente a retomada do diálogo entre Lula e Trump já representa um avanço muito grande.