Aliados do presidente têm se dividido sobre como deve ser a abordagem do assunto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula recebe advogado de Lulinha no Palácio da Alvorada — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo e Arquivo Integrantes da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que as novas revelações sobre as investigações da Polícia Federal (PF) sobre a atuação de Fabio Luís Lula da Silva, filho do petista, junto com a lobista Roberta Luchsinger, não alteram os rumos do caso. Entre aliados há a alegação de que as revelações trazidas pela revista Veja, e confirmadas pelo GLOBO, não reúnem fatos contundentes contra Lulinha ou contra o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Nas últimas semanas, o noticiário sobre os dois se transformou em fator de grande preocupação para a campanha à reeleição de Lula. Aliados do presidente têm se dividido sobre como a campanha deve tratar as revelações. Um grupo vê necessidade de falar abertamente sobre o caso, mostrando que Lula não poupará o filho, caso sejam comprovadas irregularidades. Outra ala, no entanto, defende que esse assunto seja deixado de lado para evitar desgastes desnecessários. O discurso de Lula sobre o filho seguirá na linha de que as suspeitas precisam ser investigadas. Na última sexta-feira, o presidente revelou que pediu aos advogados de Lulinha que não peçam o encerramento das investigações: — Ele (Lulinha) jura por tudo que é sagrado que não tem nada, e eu acredito nele, mas eu já disse para os advogados: "Ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho". Quer fazer inquérito, faça. Quero que seja investigado, como eu fui — disse Lula em entrevista ao podcast Não Inviabilize. Mensagens analisadas pela PF Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) detalham a parceria de Lulinha com Luchsinger, que estava à frente de negociações para fechar contratos com o governo federal. Em uma delas, o filho do presidente incentiva a lobista antes de uma reunião com integrantes do governo. Na ocasião, o grupo precisava de acesso ao Ministério da Saúde. Coube a Marcola, então chefe de gabinete de Lula, marcar uma reunião entre a lobista e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo da pasta. “Pousei. Vou lá no Berge”, disse Roberta a Fábio em 6 de março de 2024. “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo (beijo) pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”, ironizou Lulinha. A PF diz não ter dúvida de que Roberta mantinha uma sociedade oculta com Lulinha e Fernando Bittar para intermediar negócios. “Os elementos probatórios obtidos no curso da investigação revelam a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fabio Luis Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal”, concluíram os delegados, segundo a revista. Bittar é amigo e antigo sócio de Lulinha. Ele ficou conhecido na época da Lava-Jato por ser um dos proprietários do sítio de Atibaia. A força-tarefa de Curitiba, por sua vez, defendia que o verdadeiro dono da propriedade era Lula. A intimidade do trio, segundo a PF, também é reforçada pelo grupo de WhatsApp intitulado “Musaranhos”, que eles mantinham para discutir os negócios junto ao governo. Musaranho é um mamífero parecido com um rato. Lulinha e Bittar eram os “Musos”; Roberta era a “Musa”. “Convém indicar que Fabio Luis Lula da Silva aparece reiteradamente no material analisado como figura de elevada relevância mesmo que adote postura de menor exposição nas tratativas. As comunicações indicam que Fabio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos”, diz o relatório policial. Nas mensagens, a lobista se vangloriava de uma suposta proximidade com o presidente Lula. Roberta diz que Lula teria, inclusive, lhe oferecido um cargo no governo, mas que não aceitou. “Fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (…)”, diz Roberta em uma das mensagens interceptadas.