Eleições 2026

Os debates eleitorais sugerem uma tensão permanente nas relações entre a economia e a democracia. Os candidatos inclinados à direita, a despeito de suas convicções autoritárias, acham possível reduzir essa tensão por meio do encolhimento do Estado e da redução de suas funções, despolitizando a economia. Estamos, assim, diante de um paradoxo que postula a convivência entre liberalismo econômico e autocracia política.

Contra essa intrusão abominável da política, Paul Krugman, ainda em seus tempos conservadores, rebelou-se, recorrendo à retórica do método, no livro The ­Accidental Theorist: “O verdadeiro economista não começa com a visão política, mas com o relato de como o mundo funciona (itálico do autor). Esse relato quase sempre assume a forma de um modelo – uma representação simplificada do mundo que ajuda a desbravar as complexidades. Dispondo-se de um modelo, é possível averiguar o seu grau de compatibilidade com os fatos; se a compatibilidade for razoavelmente boa, indaga-se sobre os tipos de grandezas e as modalidades de opiniões excludentes nele implícitas. Assim, a opinião política emana do modelo, não ao contrário”.

A aventura metodológica do economista Krugman quer dizer, na essência, o seguinte: as políticas de intervenção e de coordenação pública devem limitar-e a corrigir o mundo quando ele não funciona (“falhas do mercado”). Krugman partilhava o ponto de vista de que, em princípio, os mercados são formas de organização econômica e social que, em sua lógica evolutiva, devem encaminhar-se para um estágio em que serão capazes de oferecer informações cada vez mais completas para guiar as decisões dos participantes. Reconheceu, é verdade, que, como o ­Nirvana­ não está próximo, teremos de conviver com os males da intervenção pública ainda por um longo tempo.