[RESUMO] Artigo de Mano Ferreira que propõe recuperar as virtudes liberais em um período de recessão democrática global omite, sustenta o autor, que o liberalismo limitou o aprofundamento da democracia ao longo da história e que, em razão da estrutura escravocrata que constituiu o Brasil, a ideologia liberal é um despropósito no país.
O século 21 começou efetivamente em setembro de 2008, quando o banco Lehman Brothers decretou falência. Desde então, presenciamos uma série de convulsões políticas, culturais e morais. A última delas é a presença mundial de governos de direita.
Ao propor que resgatássemos as virtudes liberais para melhorar a democracia, Mano Ferreira, em artigo nesta Folha, omite da análise que a gênese dos nossos problemas vem dessas próprias virtudes: elas forjaram, desde 2008, a paisagem política e econômica das questões atuais das nossas sociedades.
Proteção irrestrita à liberdade de circulação do capital, defesa impiedosa do princípio da propriedade privada, engrandecimento a qualquer custo das virtudes do mercado, preservação convicta dos direitos individuais, garantidos pelo Estado de Direito democrático, e políticas públicas focalizadas de combate às desigualdades compunham o quadro daquilo que Francis Fukuyama chamou de fim da história.






